Mostrando postagens com marcador Depressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Depressão. Mostrar todas as postagens

30 de abril de 2022

A Casa.




Tá tudo um caos. Há vazamentos pela casa. Há vidros quebrados devido a fúria da mente embriagada. Há dívidas a serem pagas. Na balança do destino, estamos no prato com a nossa alma pesada.

Existe uma bifurcação que separa a loucura material dos clamores espirituais. E nada se coincide, pois há estafes mentais que empoieram e sujam os móveis e a nossa alma. É só um vazio, um corredor escuro, um quarto eufórico, é a sensação do nada.

Minha casa virou uma encruzilhada cheia de despachos com demandas de guerra e destruição. As bençãos subiram aos céus, nos abandonando em uma injusta oração.

Porém, no romper das madrugadas, minha alma serpenteia em ritmo dançante com criaturas desconhecidas e ao dormir, caio no submundo labiríntico da minha mente que nunca cessa seus movimentos. Mesmo em sono profundo, eu nunca durmo. 

E mesmo diante o caos, deito-me em paz ao lado do amor que umedece meu seco e denso coração. Ainda há uma Deusa ao meu lado, nos meus braços, no meu Panteão.

Mas, algo está errado. Há buracos em nossas almas causados por nós mesmos, moldados por atitudes medíocres, mas ao mesmo tempo criou-se o reflexo com as demandas externas, que agora são visíveis ao perceber que há ratos atrás das paredes roendo a nossa loucura para que ela afie cada vez mais nossos pensamentos cheio de moscas e larvas.

Todo dia parece ser uma ressaca, mente com peças pregadas, e um Espírito infestado de bactérias, que inflamam e infeccionam os sete pontos de energia de nossos corpos, bloqueando-os com desalinhamentos contínuos. Eu sou a armadilha que criou a minha própria cilada.

Sim. O inimigo é interno, sou eu mesmo, mas não posso deixar de subestimar os monstros que rondam lá fora, nos cercando com suas artimanhas. Sumindo com nossas chaves, trancando nossas portas, nos acurralando em conflitos e ilusórios debates.

E assim está o meu lar. Ele se tornou uma garrafa de álcool quebrada, estilhaçada no tempo que se impulsionou no garlago da insanidade, ela se tornou um bloqueio no meio do destino, cheio de olhares lá fora cheio de fascínio, malícia e maldade, fechando nosso caminho. 

Meu lar se tornou o fantasma solitário que não desgruda de nós, implorando por uma companhia. Que saudades das borboletas, do canto dos pássaros pela manhã, minha casa se tornou um memorial post mortem, eu, minha amada, os móveis estamos todos de luto. 

As músicas que escutamos são como discos arranhados, alegria desconexa, inexistente, sorrisos emaranhados e serrados como arames farpados.

As riquezas que o carteiro da esfera de Mercurio nos trazia todas as manhãs, não foram mais entregues a nós, destinatários. Pois os remetentes que residem em mundos superiores, nos tiraram de seus grandes planos. Arrancaram minha fé, meu santo cansou, minhas prece dispersou.

E mesmo dançando agora com as palavras. Escrevo-as triste.

Não me sinto mais em casa, e não tenho mais para aonde voltar. Nunca mais.

Hoje o inimigo vence. Eu caio. 
Caio em queda livre no Eclipse de Maio
Mas, quando eu levantar.
Todos que conspiraram contra nós, serão dilacerados.

E com o sangue, com a pele, e com os ossos de vocês, vou reconstruir e consertar a minha casa.


Bruno Bernardes 

31 de maio de 2021

A TEIA



Teia de aranhas tecem seu lar sob os móveis do escritório
Elas crescem nos cantos das paredes e olham para mim,
Elas me julgam, mas ao mesmo tempo gostam da minha companhia
Algumas delas até tocam minhas mãos e sobem na escrivaninha
Minha mente cheia de bagunça; é um lugar perfeito para a morada delas
Elas aumentam de tamanho e se tornam parte da casa
Ou melhor, se torna parte de mim
Se torna um fluido da minha alma
No corredor cheio de pó e cabelos caídos pelo chão
Manchas escuras que aparecem do invisível
E se manifestam na tinta branca dos pisos
São sombras e escombros em ritmo de concretização
O corpo dói e se arrasta pela imensidão
Nenhum médico acha uma doença conveniente
Até que durante um sonho, uma bela moça me diz;
Meu filho; você é moldado por luz e depressão
Quimeras, belezas raras e ciclos de lamparina e escuridão.
Meus pés sujam ao andar pelos cômodos cheios de loucura
A sanidade é inimiga, não caem na conversa dela
Não existe verdade em suas definições
Ser mentalmente são é uma grande mentira
Que o mundo nos conta nos deslocando
Dentro de suas prisões
Porém aqui, nas bagunças da alma
Molda-se fantasmas
A verdade caminha de mãos dadas com a ilusão
Autossabotagens estão sentadas nas poltronas das salas
E outras chegam continuamente
Apertando a campainha no portão
Todas entram de mãos bem dadas
Ah as Autossabotagens;
Elas foram bem vindas
Botei a mesa pra elas
E servi e elas boas comidas e boas bebidas
E me alimentei delas
Porque eu precisava processá-las dentro de mim
E excretá-las na água suja da privada
Junto com outras toxinas
E percebi quão a vida é mera passagem
Mera piada
Quantas mentiras eu tive de contar pra mim mesmo, e engolí-las
Pra descobrir a verdade?
Tal verdade que sempre roncou no meu estômago.
Quantas mentiras eu tive de contar pra mim mesmo?
Para me tornar quem eu realmente sou?
Eu tive fome de me mim mesmo
Eu tive fome do sabor da verdade
Ela é rara, e não se encontra nos comércios convencionais
Ela está dentro de você
Ela está escondida
Esperando você se perder
Para então, encontrá-la
E junto com ela, enlouquecer-se
Essa é a única saída
Devorar a si mesmo
Como um maldito enigma.
É muito melhor caminhar nos trilhos e espirais da loucura
Do que viver dentro de uma bolha obscura
Aqui parece escuro
Mas minha mente é tão lúcida
Que Ilumina vidas noturnas
Nigredos se refletem na luz do meu espírito
E teço meu lar no alto da casa dos céus
Deixando minha alma leve como plumas
Sou também uma aranha que cresce
Minhas pernas são tão longas que se erguem nos degraus
De uma escada que desce e sobe simultaneamente.
E dentro dessa teia cheia de tramas
Me reencontro e renasço mil vezes
Das cavernas cheias de lamas
Hoje e ontem e no momento presente
E em outros futuros já previstos
Eternamente
A teia é uma espiral de ida e volta
De vida, morte e retorno
Pois, agora melhor amigo também
Dos caminhos infinitos.
Nessa teia sem fim
Que nos gruda e nos costura
Como um belo adorno
Em suas variadas sentenças e destinos.
A vida é um suborno.
- Bruno Bernardes
31 de Maio de 2021






28 de abril de 2017

A escuridão que trago comigo

Eu sempre fui uma pessoa sentimentalmente reservada, pelos menos nos últimos anos. Aliás, foi um dos motivos por ter criado esta página, para manter meus sentimentos todos criptografados em palavras complexas. Mas há sempre alguém de olho, e normalmente os olhos são bem expressivos e grandes que se destacam com os lábios que ludibriam como uma bela serpente.

Eu só consigo brilhar e irradiar a luz do meu ser, quando estou na escuridão.

Quando eu venho para a luz, e tento mostrar o meu brilho para todos, a ansiedade aparece, vícios tomam conta e os delírios são servidos a mesa, eventualmente eu machuco e assusto os demais. E vejo todo mundo se afastarem de mim, como eu sempre vi desde que me conheço por gente. Todos partem embora.

A admiração que ganho com tanto esforço dos demais, desaparece em segundos, devido a pequenos erros que são pintadas em contrastes precisamente desenhados pelo mais belo artista narcisista, eu!
  
Não pensem que este texto é um eufemismo para vitimização, vejam bem, não há nenhuma vitima aqui, eu sou o culpado e também o executor de mim mesmo, quando vejo o que pintam de mim mesmo, me sinto como Dorian Gray num romance de Oscar Wilde, tão belo por fora, mas monstruoso por dentro, apodrecendo aos poucos.

Pois desde a infância, eu sempre fui jogado numa zona obscura, onde todos me culpavam por algo que eu nunca era ou por algo que eu nunca tinha feito, e às vezes julgavam tanto por eu ser uma determinada coisa, que finalmente acabei me tornando o que tanto diziam.

Tornei-me cada pedaço de cada palavra mal dita, foram me moldando segundo pensamentos distorcidos moldados por fanatismo e preconceito, e complexamente quanto mais me moldavam, mais eles destruíam o que eu era de verdade. O meu verdadeiro retrato se perdeu no tempo, envelheceu e amargurou-se, mesmo eu sendo jovem.

Pintaram-me tão mal, que hoje eu sou um retrato escondido, onde eu o oculto de todo mundo e às vezes de mim mesmo, para ninguém ver. Pois apesar dos apesares, eu não quero machucar ninguém, como me machucaram com palavras tão mal pintadas.

Eu quero me manter aqui, nas sombras, nos bastidores construídos pelas minhas imaginações abstratas, estou seguro aqui neste espiral infinito onde me jogo e me contorço em cores complexas para ninguém perceber o verdadeiro contraste que tenho.

Pois a cor que possuo hoje é obscura
Eu posso confundir a sua percepção com tanta vaidade e sedução
Eu misturo as palavras criando fins que justificam meios 
Criando minhas poesias que podem iludir o seu coração
Fiquem longe, não se aproximem
Eu não quero ser o motivo de sua decadência e destruição.

E assim eu sigo, carregando a escuridão que trago comigo. E para não deixar os universos em desequilíbrio, eu não a misturo com a luz, por mais que meu coração escuro ame os anjos de luz, sei que esta não é a minha vocação. Pois eu sei que não vim a este plano para caminhar pela claridade, eu vim para observar, para estudar e perceber que os heróis são tão perturbados como os vilões.

A única coisa boa em toda essa história, é que daqui de dentro do meu submundo, por mais que eu esteja aparentemente em um nível inferior daqueles que caminham sob a luz do sol, daqui do escuro eu enxergo com melhor visão, pois o excesso de luz cegam as pessoas com suas palavras mal ditas, embaçando a sua percepção, e eventualmente mesmo estando abaixo, eu estou acima, na vanguarda, sempre um passo a frente.

E assim eu sigo, carregando a escuridão que trago comigo.

23 de abril de 2017

A MORTE QUE ME VISITA AOS DOMINGOS

Em labirintos de uma existência finita
Há deus e o diabo se equilibrado em uma linha
Enquanto nós somos a linha tênue
De dois genocidas
Caminhando perdidos
Buscando o sentido da vida
Enquanto somos peças
De uma peça doentia.
Anjos riem
A natureza nos equilibra
Tempestades que nos devastam por dentro
Sol que nos queimam a carne viva
A vida é um deserto de vida extinta
Não há água
Não há comida
Só há a mente homicida flertando
Com corações suicidas.
E eu peço para seguirem comigo
Nesta jornada só de ida
Há muitas coisas belas que quero lhes mostrar
Palhaços que choram lágrimas de cocaína
Tubarões que nadam em areias movediças
Uma roda gigante onde todos caem lá de cima.
Lá vamos podemos ver os horizontes
E perceberemos que tudo é apenas cinza
A realidade rompeu o seu amor com a ilusão
E seduziu como a sua amante a mentira.
Bocas costuradas
Palavras penduradas no céu da despedida
Emoções de afeto dilaceradas
A verdade não é mais dita
Nem se ouve
Nem é mais escrita.
Há apenas insetos e larvas
Dançando em nossos corpos
Saboreando as nossas carcaças
Enquanto os mortos
Se despedem de suas almas.
Há dias que a morte me visita 
Sempre aos domingos
Mas não me leva embora
Apenas fica como companhia, 
Aqui bem dentro de mim, no peito 
Enquanto eu a sirvo um café que nunca esfria 
Que só me queima
Me deixando morto por dentro
Enquanto isso a morte conversa comigo sobre a sua vida
E eu a aconselho como se eu fosse o seu psicanalista.


15 de março de 2017

NADA

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Quando se trata de mim
Nada convém
Não queira se aproximar
Nem vem
Nada soma nem advém
Eu sou tudo, eu sou nada
Minha vida é um desdém
Apesar de eu parecer alguém
Nem alguma coisa sou
Nesse mundo de vai e vem
Sou um atraso
Nada mais do que isso, nada além
Sou um fraco
Eu sou ninguém.

Esta pequena poesia
Com rimas vitimistas
Escritas com sangue
Da minha carnificina narcisista
Não tem significância nenhuma
É fim de semana
E aqui só a sufocante brisa
Que arrogância a minha
Me fazer de vítima
Enquanto muitas vezes fui um carrasco
Estou pagando o preço e a dívida.

O mundo girou
E agora eu enxerguei o lixo
E o quão insignificante eu sou
Por mais que você diga ao contrário
Independente do que você acha
Eu sempre fui uma existência abstrata
Um espiral sem linhas e sem curvas
Na multidão eu sou invisível
Um fantasma
Sou uma poesia mal inspirada
Um peso sem alma
Eu destruo tudo
Porque desejo que todos sejam como eu
Um nada. 

16 de outubro de 2016

A cidade.

Mesmo sofrendo de ansiedade crônica, encho a minha xícara de café na madrugada. Sei que daqui algumas horas, meu coração vai disparar, e eu vou me imaginar em um hospital sendo levado numa maca. É! o medo lhe prega peças, que são precisamente moldadas em forma de síndromes. Porém, nessa noite, que está garoando leve, dentro um calor que está oscilando com o vento gelado. Me sinto mais uma vez mentalmente perturbado.

São tantos pensamentos que deixam de ser pensamentos, e percebo que meus pensamentos estão se tornando a realidade em minha volta. Uma realidade, onde as pessoas, que procuro profundamente conhecer, estão tentando preencher seus vazios, nos mesmos lugares de sempre, com as mesmas pessoas vazias que eu tentava me preencher. Eu não sei se fico triste por elas estarem caindo na mesma ilusão que eu caí. Ou se sinto preso aonde eu estou, se sinto preso aqui nesse agora, nesse momento, aqui.

Essa cidade está em ruínas emocional. Todos conhecem todos, e todos tentam se sentir superiores a todos. Aquele mesmo jogo manipulativo de dez anos atrás. Parece que a minha juventude, ficou impregnada nas ruas da cidade onde eu moro. Em todo canto, tem alguém que te conhece, que sabe alguma coisa de você, e tenta jogar contra você para se proteger de você. No fundo as pessoas são tão paranoicas quanto eu. A bebida ainda continua distorcendo a realidade das mesas de bar, onde os ditos amigos, tentam seduzir, ludibriar as mulheres com mentiras que eles próprios acabam acreditando, e depois iludem a si mesmos, devastando corações alheios. Eu vejo, agora eu percebo, todos são reféns de seus próprios medos.

Parece que todos, se tornaram uma parte minha do passado. Tenho a sensação que se eu pegar cada pedacinho de cada pessoa que vive nessa cidade, vai se formar um todo complexo, e esse complexo se refleti-lo no espelho, eu vou me deparar com meu próprio reflexo, com meus olhos transmitindo um olhar melancólico e ao mesmo tempo homicida. Eu me tornei a minha cidade, e a cidade se tornou um reflexo da minha mente distorcida. Eu preciso me libertar dessas algemas que prendem a minha pele a rasgando, mostrando a minha carne viva.

Me sinto dentro de um planeta na via combusta, onde todas as pessoas se queimam aos poucos, pois tentam brilhar demais, achando que são poderosas tanto quanto o sol. Mas na verdade, dentro de cada uma delas, não há vida. Só há uma cidade em chamas, em uma perfeita ruína.

Mas claro, não é somente a cidade, não é somente as pessoas, o problema também sou eu. Talvez eu seja a própria cidade, que entrou em um curto circuito megalomaníaco, não há mais força, nem luz, só escuridão, onde eu evito andar sozinho em meus próprios becos escuros, talvez continuando aqui, eu esteja me autodestruindo. Me conduzindo novamente, dentro do abismo.

Eu preciso me reconstruir novamente. Mas desta vez, bem longe daqui.

7 de fevereiro de 2016

Você tem amor por mim, ou pelos meus demônios interiores?

Caminhando em meio à natureza da minha essência
Em alguns cantos uma luz
Em outros repletos de sombras
O equilíbrio tenta se alinhar
Mas as energias que atraio
Sempre implodem como confusão
Há infinitos conflitos dentro de mim
O amor foi esfaqueado no coração
Eu olho para o céu
E vejo o nublado do meu ser
Vai chover pensamentos obscuros hoje à noite
A insônia vai caminhar em becos escuros
Eu vou ficar aqui com os olhos bem abertos.

Eu estarei pensando em você

Sim, eu ainda penso em alguém
Ela está do outro do lado do meu mundo
Há anos que sonho com ela enquanto eu durmo
Mas mundos precisam estarem em equilíbrio
A fim de evitar o caos e a destruição
Por isso não podemos mais ficarmos juntos.

Você tem me amado ou apenas amado meus demônios interiores? E assustada escapou deles?

Eu segui em frente sem perceber que eu estava deixando só você pra trás
Mas eu estava deixando a mim mesmo também
As estrelas caíram do céu
Eu sinto saudades de nossas noites em frente de sua casa
Quando a noite ainda tinha luar
Quando nossos olhos ainda brilhavam sem piscar
Seguimos agora em caminhos opostos
Mesmo que por um complemento às vezes nos tocamos por conhecidos em comum
Eu sei que você está ali relembrando de alguma forma de mim
O mundo espera pela nossa resposta
Fugir de nossos sentimentos
Murchamos em nossas próprias sombras
Somos como flores com espinhos
Nós mesmos nos machucamos
O amor e a dor
Apesar de rimarem
A dor passa
O amor não
Eu sei que um dia nossos mundos novamente vão se colidirem
E eu vou persistir e segurar a sua mão
Eu não vou mais fugir
Eu vou estar aqui
Se um dia você chegar, a porta estará aberta pra você entrar
Pois eu sou a sua luz que vai preencher a sua escuridão
E você é a minha escuridão que vai preencher a minha luz
Seremos o equilíbrio em nossa própria imensidão.

Você tem me amado ou apenas amado meus demônios interiores? E assustada escapou deles?


5 de novembro de 2015

Inexistente

É a décima vez que venho aqui tentar transformar mais um porre em poesia
Mas talvez desta vez eu consiga
Porque talvez as bebidas que bebi nem eram bebidas
Talvez era eu mesmo me auto destruindo
De forma cataclísmica
Talvez eu nem tenha ido a lugar algum
Talvez tenho que aceitar que minha mente já está enlouquecida
Talvez eu não fui para as avenidas
Nem para os bares de esquinas
Nem para as ruas
Talvez todo mundo que vi e conversei
Nem mesmo existia
Talvez minha sanidade desistiu de mim
E ela mesma disse:
Basta! É o fim da linha.
É, nem sei mais o que escrever
Nem o que sentir
Minhas veias
E minha mente
Estão completamente entorpecidas
Nem sinto mais minha voz sair
Nem o sangue bombear
Nem a minha corrente sanguínea
Estou ao um alarme da linha que separa as coisas
Me tornei tênue entre um homicida ou suicida
Talvez nem seja eu mesmo escrevendo essas palavras distorcidas
Em péssimas colocações e rimas
Talvez nem seja eu mesmo que esteja aqui
Talvez eu esteja morto
E estou perdido entre realidades dissociativas
Em dimensões entre os transtornos
Que me transformaram numa pessoa sem vida
Talvez eu além de estar ouvindo coisas
Além de eu estar vendo coisas
Talvez eu também esteja escrevendo coisas
Que nem mesmo exista
Talvez eu esteja distante daqui
Talvez eu me deixe flutuar
E desista
Eu estou aqui?
Ou é apenas mais uma de minhas personalidades
Que amanhã não vai mais existir?
Talvez eu esteja virando fumaça
E entre espaço e tempo estou à comprimir
Entre tantas pessoas e tipos de gente
Estou me tornando o pior de tipo de todas
Aquela pessoa que aos poucos vai tornando-se inexistente.

11 de outubro de 2015

Morto vivo.

Você chega ao um momento da sua vida em que a morte é mais amiga de você do que sua própria vida. Sua vida abandona você na esquina, enquanto você está bêbado, sozinho e sem nenhum amigo por perto, numa zona perigosa da cidade. E mesmo assim, você acorda no dia seguinte, e a vida te obriga a viver. Mas a morte está ali em forma de pequenas doses de sensações de poder. A euforia se apaixona por você, e você a beija e a abraça forte. As pupilas se dilatam no tempo. A mente se distorce em insanos pensamentos. A vida te abandona, quando você precisa de ar pra respirar. Você fica entubado em uma cama de hospital. Fazendo lavagem estomacal. A vida te abandona quando você precisa alimentar seus vícios. E o coração fica com cheiro podre de hospital. A vida tenta te convencer que a ambição são somente ilusões de grandeza. A vida te mostra que os sonhos são a destruição da realidade. E quando você está chegando lá em cima, no topo do seu próprio ego. Seu coração acelera, o pulmão fecha, e a vida te chuta lá de cima, e você cai direto em um esgoto cheio de sujeira. A vida faz você sentir falta do fundo do poço, pelo menos lá tinha água e doses de cachaça pra você entrar em coma. E permanecer ali. Mas a vida vem e rouba até o pouco de miséria que mal temos. A vida não nos deixam dormir, ela prega nossos olhos, com agulhas, costurando nossa percepção sem anestesia no quarto da insônia. E a insônia mantêm minha imaginação se dilatando na paranoia. A vida me olha com os olhos bem abertos em meus olhos, e não me diz nada, levanta e me dá as costas. A vida me abandona quando eu preciso dela para vivê-la. Ela sai do quarto, fecha e tranca a porta. E me deixa morto lá dentro de mim mesmo. A vida ainda não sei o que ela é, não sei qual o sentido dela. Só sei que acordo todo dia, e me deparo com ela no espelho. Ela encara minha alma e me oferece um cigarro toda manhã. Ela é simpática no café da manhã, quando leio as tragédias e os assassinatos em séries pelo jornal do dia. É só mais um dia normal da minha vida, eu sei. Mas a vida me olha como se eu fosse o principal suspeito. Mas também me olha como se eu fosse um erro perfeito. A vida talvez seja eu mesmo, cobrando demais de mim mesmo. Aliás a vida é minha, e eu faço que eu bem entender. Talvez seja somente eu, apaixonado por uma imagem distorcida e distante no espelho, Talvez as minhas qualidades sejam o meu maior defeito. A vida nos cegam com doses de egomania nos fazendo sonhar alto demais. E ela mesma nos derruba lá de cima, para nos fazer acordarmos pra vida. A vida me matou e me deixou vivo. Mas eu não sinto nada. Eu me alimento de mim mesmo, deixando expostos meus sentimentos em carne viva. Deixando toda a empatia em estado lento de putrificação. A vida me transformou em um animal sem instinto. Em um ser estranho esquisito. A vida é como um carrasco insensível a sangue frio.
A vida me transformou em um morto-vivo.

20 de janeiro de 2015

O Deserto

Eu tinha balas carregadas em meu coração
E em um deserto de devaneios paralelos
A minha mente as disparou mirando em toda a paixão
Só havia o sangue seco na areia pelo sol
Só havia os beijos enterrados na areia pela escuridão
Os abraços se tornaram uma miragem
E o pior
Você se tornou a minha maior desilusão
Você ia sumindo a cada passo que eu dava
Quanto mais eu me aproximava
Mais era ofuscada a sua imagem
Mais distante você ficava
Eu gostaria que você ainda estivesse aqui
Mas você foi morta pela minha bondade mal intencionada
E então permaneci na noite em volta de uma fogueira para me aquecer
E você se tornou cinzas no ar
Você agora era um fantasma que eu gostaria que pudesse aparecer
Mas eu já estava sendo assombrado pela saudade
Pelo monstro que eu mesmo criei
Moldado pela minha loucura e pela falta de piedade
O que era fogo foi se tornando frio
Nada me aquece mais
Nem as larvas de um vulcão
Nem o fogo que se combate com fogo
Você seguiu embora para longe da minha direção
Só os teus abraços poderia me aquecer
O toque de suas mãos
O teu corpo repleto de um perfume que somente os anjos devem ter
Os teus beijos cheio de tesão
O teu toque impregnado pela beleza de um anoitecer
Os teus lábios cheios de sedução
Mas quanto mais vago
Mais a psicose torna a morada em minha volta
Há dias estou nesse deserto
Pensando em você
Que nem sei mais se tudo isso é real
Que nem sei mesmo se você realmente existiu
Talvez em meus devaneios, eu te criei
Talvez em um mundo paralelo
Eu te conheci e te amei
Só sei que neste mundo
Não há ninguém aqui
Além da companhia do obscuro
Nem sinto mais meus pés no chão
Acho que estou indo para o céu
E quem está me levando é um anjo
Que no olhar dele
Só transmite solidão
Engraçado como ele se parece comigo
É. Eu me perdi novamente dentro de mim mesmo
Me perdi em um deserto que eu mesmo criei moldado pela ilusão
Talvez nem eu mesmo exista mais
Talvez seja tudo uma alucinação.




4 de janeiro de 2015

O Abismo

Represento personagens para mim mesmo
em um vago e brilhante espelho
onde me leva a lugares desconhecidos
longe do meu universo
longe do mundo do medo
represento lugares onde eu nunca estive
onde tudo está inverso
onde tudo está ao meu controle
mesmo estando tudo desconexo
aparentemente eu tenho poder
em tudo aquilo que não faz sentido
em tudo tudo aquilo que não tem nexo
São como pedaços de sonhos
que você tenta juntar
através de uma noite e outra
mas eles se movem na sua inconsciência
onde você não consegue toca-los
te despertando uma doentia demência
onde os monstros se tornam reais
onde se perde o sinal a minha consciência
onde meus sonhos se tornam surreais
eu fico preso dentro da minha mente
em um subconsciente
cheio de imaginações viscerais
Então vou tentando me equilibrar com as pontas dos meus pés
em cada linha do meu raciocínio
eu não posso mais cair
lá em baixo é perigoso
é como cair em larva de furacão
está repleta de parasitas que querem me comer vivo
lá em baixo está a minha mente
cheia de ideias e de confusão
o mental se transforma em um hospício
onde está toda a minha ilusão
e então eu percebo que eu vivo no limite
vivo em linhas tortas na beira de um precipício
onde eu posso cair a qualquer instante num rio de larvas
cheio de tubarões e escuridão
E então eu percebo que aqui dentro de mim mesmo
é onde toca todas as trombetas do meu juízo final
é onde eu sei
é onde eu sinto
onde está o meu bem e o meu mal
eu vivo dentro de mim mesmo
num profundo e obscuro abismo.
Então eu lhes digo, como aquele velho ditado
"Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você"
Então não me encarem
Eu vou sugar vocês
A não ser que vocês querem serem sugados pelo meu amor
Repletos de bons momentos impregnado pelo desejo do infinito
Me amem, sentem a minha dor
Caem dentro de mim
Caem no abismo.