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9 de outubro de 2016

Infância.


Andando pelo bairro abandonado
Ruas desconexas, encruzilhadas.
Ouço vozes que sussurram o passado
Bocas que tentam gritar, mas estão costuradas.
Agora tudo é vazio e vago
O vento se torna uma brisa
Onde o mesmo se mistura com meus pensamentos
Sinto uma sensação sombria
Mas uma sensação que conforta os tormentos
Eu gostaria de voltar no tempo
Onde a minha mãe me dizia que nunca ia embora
Mas eu estou aqui no mesmo lugar
Não há mais ninguém, apenas o frio do vento.
O bairro que era florido
Progrediu-se para o caos
Agora está aos moldes do apocalíptico
O vento fica ainda mais violento
A cada minuto que se passa
Fazendo voar o meu sentimento
E por fim me encontro
Nesta nostalgia devastada
E me paraliso no segundo deste momento
E percebo que as coisas não mudam
Elas deixam de desistir
Elas desparecem no vento
Eu gostaria de voltar no tempo
Onde a minha mãe me dizia que nunca ia embora
Mas eu estou aqui no mesmo lugar
Não há mais ninguém, apenas o frio do vento.
Voltando de lá, percebo que estou seguindo em frente.
O que é complexo, pois não se precisa voltar pra seguir adiante.
Mas eu estou voltando no tempo como eu quero voltar
Mas no momento em que consiste nesse exato instante.
E assim sigo
Sem olhar pra trás,
Preciso apenas superar o fato que tiveram que me abandonar.
Logo percebo meu devaneio
Eu estou sozinho, mas eu me sinto bem em estar.
Eu não estou mais com medo.
Bruno Bernardes.

7 de fevereiro de 2016

Você tem amor por mim, ou pelos meus demônios interiores?

Caminhando em meio à natureza da minha essência
Em alguns cantos uma luz
Em outros repletos de sombras
O equilíbrio tenta se alinhar
Mas as energias que atraio
Sempre implodem como confusão
Há infinitos conflitos dentro de mim
O amor foi esfaqueado no coração
Eu olho para o céu
E vejo o nublado do meu ser
Vai chover pensamentos obscuros hoje à noite
A insônia vai caminhar em becos escuros
Eu vou ficar aqui com os olhos bem abertos.

Eu estarei pensando em você

Sim, eu ainda penso em alguém
Ela está do outro do lado do meu mundo
Há anos que sonho com ela enquanto eu durmo
Mas mundos precisam estarem em equilíbrio
A fim de evitar o caos e a destruição
Por isso não podemos mais ficarmos juntos.

Você tem me amado ou apenas amado meus demônios interiores? E assustada escapou deles?

Eu segui em frente sem perceber que eu estava deixando só você pra trás
Mas eu estava deixando a mim mesmo também
As estrelas caíram do céu
Eu sinto saudades de nossas noites em frente de sua casa
Quando a noite ainda tinha luar
Quando nossos olhos ainda brilhavam sem piscar
Seguimos agora em caminhos opostos
Mesmo que por um complemento às vezes nos tocamos por conhecidos em comum
Eu sei que você está ali relembrando de alguma forma de mim
O mundo espera pela nossa resposta
Fugir de nossos sentimentos
Murchamos em nossas próprias sombras
Somos como flores com espinhos
Nós mesmos nos machucamos
O amor e a dor
Apesar de rimarem
A dor passa
O amor não
Eu sei que um dia nossos mundos novamente vão se colidirem
E eu vou persistir e segurar a sua mão
Eu não vou mais fugir
Eu vou estar aqui
Se um dia você chegar, a porta estará aberta pra você entrar
Pois eu sou a sua luz que vai preencher a sua escuridão
E você é a minha escuridão que vai preencher a minha luz
Seremos o equilíbrio em nossa própria imensidão.

Você tem me amado ou apenas amado meus demônios interiores? E assustada escapou deles?


9 de janeiro de 2016

Um sentimento

Um sentimento que precisa da paixão para ele se manter na chama mais viva da intensidade entre duas pessoas. Estou falando do amor. O amor não é bonito sempre, às vezes, quase que sempre, ele é destrutivo. As diferenças fazem que os parceiros, entram num conflito de raiva, de ira e de egoísmo. 

Muitas pessoas que eu observo namorando, nas redes sociais, colocando fotos juntos, com sorrisos cínicos estampados no rosto. Mas a paranoia, a desconfiança, está nos flashes do momento ali naquele minuto do tempo. Escondidas numa lembrança moldada de ilusão. Por trás da felicidade persistente, que querem mostrar pra todo mundo. Atrás das paredes, existe a insegurança. O ego maníaco. E as agressões, às vezes. Tanto físicas quando verbais. em alguns casos, Não em todos, óbvio.

O amor pode matar? ou somos nós mesmos que usamos o amor como desculpa pelas nossas atitudes impulsivas? Nunca vamos saber. Há pessoas que amamos por anos, e hoje não a conhecemos mais. A ilusão é uma impostora exigindo que através do amor, seremos felizes, e que encontramos a felicidade. 

Usamos o amor para nos perder no mundo. Num mundo de pessoas desconhecidas, de drogas que nos curam da dor, através de beijos que juntam um pouco dos pedaços de nossos corações que estão partidos. 

O amor sem paixão, se torna uma amizade entre ambos, que finalmente existe o respeito, e a concordância. Mas a paixão por mais maléfica que ela seja, ela é necessária. Para que o prazer, a vontade de viver a dois seja uma chama que nunca se apague.

Mas quem sou pra falar de amor? Todos os relacionamentos que eu tive, foram destrutivos e autodestrutivos, Imaturidade? Sim. Todas as pessoas que amei ou pensei que as amavam, eu as deixei irem embora. Pelo bem delas. E pelo meu.

O texto que acabei de escrever acima, é inspirado em uma pessoa que eu amo, ninguém a conhece, ninguém sabe o nome, e nunca irão saber quem é, talvez nem ela saiba, que ainda a amo.

Eu só queria que ela estivesse aqui dentro de mim, tocando o mais profundo da minha alma e vísceras.

18 de outubro de 2014

Esquizofrenia

Sua voz soa como ópera em meus ouvidos
Mas você não está aqui
Sua palavras em desconcerto
Suas palavras sem nexo
Minha mente está em grande margem de erro
Não ouço bem o que você quer dizer
Você parece estar aqui bem perto
É tão suave
É tão frio
Como o inverno
É tão confortante
Como andar
Sobre as brasas do inferno
Logo suas palavras entram ritmo confuso
Me fazendo de altar para o seu ego
Me fazendo ser o teu segredo obscuro
Sua voz cada vez mais concertante
Cada vez mais perto
É como se você fosse sair da minha cabeça
E se materializar em meus lençóis
Seu perfume, o cheiro da tua pele
Inundou os meus pensamentos como um mar em tempestade
Mas eu sabia que era pura frenesi
Eu sabia que aquilo não era algo da realidade
Mas eu sabia que você pedia algo
Algo a sangue frio e sórdido
Ou talvez era apenas seu fantasma
Tentando assombrar o meu eu psicótico
Você estava voltando aos poucos
Me deixando louco
Me deixando neurótico
Mas a sua voz me seduzia
Num irresistível transe erótico
E aos poucos você me conduzia
Levava meu corpo sem alma
Para onde você queria
Sua voz me comandava
Me levando em uma bela escuridão
Que somente eu a abraçava
Num lugar escuro distante de mim mesmo
Mas ao mesmo tempo lá dentro de mim
Entre as veia e artérias
No labirinto do meu coração
Logo eu entendi a sua conspiração
Quando eu cai em si
E vi em frente de mim
Um genocídio  onde só havia corpos mutilados
Sangue e destruição
Só assim pra eu perceber que sentimentos
Somente nos deixam internamente dilacerados
Enlouquecidos
Desvairados
Mas não havia mais volta
E foi assim que eu entrei em seu ritmo
No ritmo da sua voz que antes eu não entendia
Entrei no ritmo e dancei a sua canção
E em troca ganhei novamente sua companhia
Numa imensa imensidão
Abraçados entre nossas entranhas
Em nossas carnes vivas
Num purgatório da mais intensa emoção
Num estalo de segundos
Eu deixei de existir
Assim como matei todos aqueles em minha volta
Aqueles que sua voz me dizia
"que eles não podiam mais pertencer ao nosso mundo"
Logo eu me tornei a morte viva
O passado sempre volta
Mesmo eu mesmo ter te enterrado
Você voltou em forma de uma maravilha
Voltou e me fez perceber que eu sou teu único amado
A tua única fantasia
Voltou e se encontramos como se fosse o nosso primeiro encontro
Aquela lembrança que ainda guardo em tons vermelhos num pano
Naquela tarde quente e ímpia
Mas dessa vez nos encontramos dentro de nossas mentes
Num tom que soava como uma canção delirante
Tua boca gelada na minha
Meu corpo pálido sobre o seu
Compôs perfeitamente o lugar da nossa melodia
Era a nossa música, era o nosso momento
Dançávamos juntos nos neurônios da esquizofrenia.

1 de março de 2014

Acatisia

No começo a intensidade criou uma síndrome em nossos olhares.
Eu premeditei seus passos para que você pudesse seguir junto aos meus.
Mas eu o meu vício em controle acabou saindo fora de controle.
A tua hiperatividade se hiperativou com a minha.
Criando belos impulsos de sexo e loucura.
Deixando assim nossos corações inquietos.

Ah a ansiedade de amar, e ser amado.
A inquietude da alma não para.
E o tempo corre na velocidade da luz.
Mas nossos egos deixou tudo tão escuro

Nossos corpos parecem estarem querendo voar.
Mas o nosso tormento é não estar em movimento.
Estamos presos dentro de nós mesmos.
Enquanto o paraíso não chega.
Estamos sentados no inferno.
Presos com as correntes do nosso orgulho.

Observando o fogo em volta.
Toda aquela paixão querendo explodir.
Mas o gelo insiste em nos paralisar.
Congelando tudo que há dentro de nossos corações

Mas os sintomas são reais.
Esse desassossego que faz as nossas tripas quererem saírem para fora.
O senso ilusório de alguma luz.
Nos fazendo vagar em círculos nesse túnel escuro da vida.

E o nosso desejo de estar juntos.
Se manisfesta em forma de terror.
Nossas mandíbulas ficam descontroladas.
Fazendo nossas palavras parecerem um quebra cabeça indecifrável.

Se afastamos na distância
E a dor palpita.
Tua coluna vertebral endurece.
Cessando todo o movimento do seu coração.
O frio em nossas espinhas ilustra a nossa frieza.
O oposto do oposto nos opõe nessa oposição

Essa estranha incapacidade de mover o nosso amor.
Criou um conflitos em meus nervos.
Meu coração está me contorcendo.
Eu preciso de você.

Obs: Postagem publicada de número 100 do blog

8 de janeiro de 2014

Mundos

Mundos que apenas se tocam, mas não se entrelaçam
Mundos que vem e gira a sua cabeça, tornando-o confuso
Mundos que apenas chovem
Mundos sem sol em pleno verão
Mundos que não amanhecem
Onde as relógios giram na escuridão

Esperei que os nossos mundos se colidissem
Mas não percebi que estávamos a anos-luz de distância
Onde os sentimentos não se encontravam com a razão
O teu tempo era diferente do meu tempo
Era desalinhado, era inseguro
E foi assim que nossos corpos nos enganaram com a paixão

Por mais que estivéssemos juntos
Nossas almas estavam distantes
Criando assim nossos mundos cheios de ilusão
O fogo se apagou com o o vento dos céus de outubro
Congelando tanto o meu quanto o teu coração

Mundos que dividiram a mesma cama
Mundos que suspiraram nos mesmos lençóis
Mundos que giraram com a sedução

Mundo que girou mas não deu volta
Mundos que abriram portas
Mas que  por uma delas,
Você escolheu ir embora

Por mais que nossos mundos girassem juntos
Você não pertencia a esta dimensão
Por mais que você estivesse aqui no meu mundo
Você na verdade estava em um universo paralelo
Realmente não fazíamos parte da mesma costelação
Por motivos desconhecidos você me encontrou
E sem motivo aparente você veio e você foi
Sem razão.


19 de novembro de 2013

0:T3mp0

O tempo não resolve as coisas que você mesmo poderia resolver
O tempo destrói tudo, inclusive o agora.
Agora mesmo que escrevo esse texto, eu estou perdendo tempo
Eu poderia estar lá fora correndo atrás de meus objetivos
Mas resolvi escrever esse texto sobre o tempo
Consequentemente me fazendo perder tempo
Logo esse texto será apenas uma lembrança
Uma lembrança sobre o tempo
Que o cérebro automaticamente apaga
Substituindo o tempo que você acaba de desperdiçar por uma outra lembrança.
Você não lembra dos momentos, você se relembra da ultima lembrança.
Lembranças que logo serão apenas vestígios
Evidências de uma tolice, como num crime
Cinzas que o tempo queimou
Aos poucos o tempo vai desaparecendo sobre o próprio tempo
O tempo, ele mesmo se destrói aos poucos
Ele mesmo se mata
Ele é irreversível
O tempo é suícidio
O tempo não corre
O tempo não voa.
O tempo viaja mais rápido do que a própria velocidade da luz.
E nenhum som pode ouvi-lo passar
E por mais que você tente controlar o teu pensamento
E por mais que você tente colocar em ordem qualquer sentimento
O tempo só vai te pregar peças, com a ilusão que tudo logo irá ficar bem, com o tempo.
"Como a luz que pensa que viaja mais rápido do que qualquer coisa, mas não importa o quão rápido a luz viaje, ela sempre descobre que a escuridão chegou la primeiro, e estava esperando por ela."
Como eu, que tanto tentei falar sobre o tempo nesse texto
Que acabei perdendo a noção do tempo.
Acho que só perdi meu tempo.

(com você)



28 de outubro de 2013

A Saudade

Entre as minhas idas e vindas.
Em algum lugar no meio delas, você se perdeu.
Desapareceu em meio a neblina.
Partiu para um outro caminho.
Seguiu para uma outra avenida.
Evitando os becos escuros que eu te perseguia.
Deixou-me só em uma encruzilhada.
Na encruzilhada da nossa despedida.
Perdemos o controle e mesmo assim eu não percebia.
Que se eu não fizesse nada. 
Do meu mundo logo você fugiria.
E você se foi.
Deixando o nosso universo em cinzas.
Agora te abraço sem te tocar.
É como se você estivesse em outra dimensão.
Me vigiando.
Lembrando.
É como se você estivesse num lugar do passado.
E nossas lembranças são como uma máquina do tempo que nos fazem viajar através de nossos pensamentos.
Unindo nossos corpos em um brilhante e complexo sentimento.
Lembranças que fazem mundos colidirem. 
Fazendo nossos corações terem uma explosão cósmica.
Criando um luar que ilumina nossas noites antes de dormir.
Fazendo as estrelas brilharem em nossas janelas trancadas pelo medo.
Unindo nossas almas mesmo que em universos paralelos.
Nessa imensidão escura que se escondemos.
Lembranças que vagam no espaço como meteoros.
Somente esperando um lugar e tempo exato para colidir.
Fazendo nossos abraços se encontrarem.
Talvez.
Talvez encontrar uma fenda no tempo que estamos distantes.
Mas ainda estamos em queda nessa atmosfera de lembranças.
Lembranças que nos trazem uma unica sensação.
Essa sensação de estarmos perdidos no espaço.
No espaço que criamos entre nós.

Entre tanto espaços, entre tantos universos.
O nosso acaba de ganhar o nome de Saudade.

11 de outubro de 2013

Orgasmo !

Na madrugada o fogo conspira
Invadindo nossas mentes através do vento na janela
Dando vida aos nossos corpos
Dando vida a fantasia
Te tocando
Te sufocando
Quebrando entre nós dois
Cada barreira fria
E por mais que você tente resistir
Mais você permanece
Mais você fica
Tua alma queima junta com a minha
Se completam
São parecidas
Como a intensidade
De uma tempestade
É fogo
É sombria
Por mais que você tente falar
O prazer lhe sufoca
Por mais que você tente suspirar
O orgasmo te enforca
Apenas seu tesão respira,
Te beijo, te pego por costas.
No teu pescoço toda a força envolvida
Pés juntos
Pernas entralaçadas
Apenas mais um suspiro
E o teu nervo atrofia.
Você goza
Você grita!

30 de setembro de 2013

Noites estranhas.

E a rotina suga os dias.
Me fazendo procurar por mim mesmo nas noites. 
Me levando em busca de todo tipo de euforia.
Regada de prazeres mundanos.
Na frenesi das luzes de cada esquina.
No ritmo das músicas sem melodia.
Dançando no ritmo frenético da madrugada
Mas quanto mais passa o efeito da bebida.
Percebo que no dia seguinte a lua não brilha.
E as estrelas desaparecem sobre a neblina.
Por mais que tento reorganizar meus pensamentos no calor da noite.
Apenas fico cada vez mais vulnerável.
Mais perdido.
Com o coração ainda mais bagunçado
Pensamentos se transformam em neuroses.
Nos becos escuros, com o alerta ofuscado.
Sozinho, sem cobertura, mal armado.
A noite se torna um deserto.
Onde areias movediças me levam cada vez mais para baixo.
Logo vai amanhecer.
E a realidade está voltando para arrancar minhas entranhas.
Vejo que estou em o total declínio nesse mundo amargo.
Com sede de alguma luz em uma noite escura no deserto de minhas ilusões.
As noites que são como um deserto.
Procuramos constantemente por um belo amanhecer.
Mas o sol é apenas uma miragem.
E quanto mais tentamos o alcançar, mais a vida fica mais obscura. 
Pois cada prazer que encontrei.
E cada corpo que toquei.
São sensações que não se preencheram no vazio.
Sentimento que não se sentiu.
Pensamentos que não se inspiraram.
E por mais que o luar brilhe.
Ele nunca esteve ali, ele nunca existiu.


28 de julho de 2013

Que

O que te feriu?
Que lâmina lhe cortou?
Que mágoa lhe ressentiu?
Será que foi a minha língua afiada?
Pensamentos opostos que forjamos 
Paranoias que martelamos
Blocos de ferro que juntos carregamos
Nos desequilibrando
Ambos somos um peso nas costas.
Que bicho nos mordeu?
Que corrente poderia nos prender?
Que cordas poderia nos amarrar?
Quais algemas poderia nos condenar?
Que minhocas temos em nossas cabeças?
Você me trouxe aqui, nessa obsessão.
E agora você está do outro lado da sala
Tomando o seu café que nem mesmo esquentou
Que inverno nos esfriou?
Que frio se tornou o nosso coração?
Logo o vento também chega nos levando para longe.
Que mordaça poderia calar a nossa paixão?
Talvez seja a rotina.
Não sei.
Talvez seja o tempo parando
Talvez seja o universo nos transformando
Talvez seja a vida nos dando uma lição.
Que vida?
Que vida nos daria somente ilusão?


6 de novembro de 2012

Livre

Estado de desespero, desesperadamente procurando novas emoções. Mas nada se sente, nem mesmo o toque dos seus lábios sobre os meus, nem quando você me beija e me abraça. Distante da realidade, as horas engolem os minutos, e os segundos devoram a minha mente. Perdido em pensamentos, todas as noites, penso como posso perder todo esse tempo pensando em você. Como eu pude pensar tanto e não sentir mais nada? Talvez seja apenas saudade.

Saudade das cores do dia. Os dias são como uma estrada durante a noite, onde as luzes dos faróis dos carros se misturam formando cores fortes e intensas, causando um momento surreal. Cores que passam através de mim, como se eu fosse um fantasma. É como se eu nem mesmo estivesse aqui. O vento é a única sensação que me conforta, é como um abraço suave e afetuoso num dia de verão colorido. E todas as madrugadas, quando chego em casa, a realidade está lá me esperando, e todas as cores se tornam cinzas, num tom bem escuro, que me completa.

As paredes se fecham dentro dos meus sonhos. E meus pensamentos ficam esmagados, e de repente, eu posso sentir a brisa do sol lá fora, e abrindo os olhos eu vejo; um novo lugar. Lá fora há um novo lugar, que nem sei ao certo onde está, mas está lá. Sinto, agora eu sinto. E percebo que os mundos, o meu e o seu, não se colidem mais. Estamos em universos diferentes, nem eu e nem você podemos conseguir saber onde nós estamos. Você se foi e ambos não pudemos mais nos sufocar. Aqui eu posso sentir o vento, e respirar o ar.

Aqui eu me sinto completamente livre.

"By coming home"

12 de janeiro de 2012

Nostalgias

 - Você quer saber por que eu me sinto tão vazio por dentro? –

Andando sobre as ruas da cidade, percebo como é engraçado os lugares que já passei, parece que em cada lugar deixei um vestígio meu, para quando eu voltasse lá eu pudesse relembrar os velhos tempos, relembrar os momentos, doces e amargos, e por fim perceber como o tempo pode mudar as coisas. É apenas uma linha que nos separa do passado, o presente as vezes pode nos chocar com uma dura realidade; e o futuro pode se tornar um doce passado que gostaríamos de reviver.

Estranha sensação. Saímos e reencontramos pessoas que não as vimos há muito tempo e conversamos sobre coisas que já aconteceram e no mesmo momento revivemos com os nossos risos e conversas. Sinto-me em tempos de nostalgia, saudade daqueles anos, dos tempos de escuridão, dos amigos que se foram, da louca paixão. A vida calma me acalma mas não me agrada.

Então eu perco a minha mente e faço isso lentamente, lembro aos poucos. Se ao menos fossemos nada, mas somos pequenas partículas em nossos lobos temporais, a memória queima viva dentro de nós, mandando sensações ao sistema límbico nos fazendo transpirar emoções, é como se cada saudade pudesse elevar as sinapses da mente, nos deixando com esse sentimento eufórico que poderíamos voltar no tempo, e reviver cada momento bom, que hoje guardamos apenas na lembrança.

O importante é saber que não vamos esquecer, nem mesmo os dias ruins.