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15 de julho de 2014

Hysterical Literature

Você pode beijar a esposa de alguém e escapar. 
Você pode beijar alguém do mesmo sexo sem punição. 
Você pode dar um beijo incestuoso sem ser pego. 
Você pode até mesmo beijar de língua um cachorro.,
Ou trocar carícias com ratos de laboratório. 
Mas você não pode beijar a morte sem que ela te beije de volta. 
A morte beija apaixonada.
Eu estarei dentro de você, como um amante. 
Eu te beijarei por dentro, e você vai sentir um calafrio. 
Você vai sentir seus pelos ouriçarem em suas coxas, e arrepios em sua espinha. 
Eu te guiarei até a minha cama despedaçada.
E deitaremos nela aninhados nos braços um do outro.
Ou pelo menos enquanto você ainda tiver braços. 
E mesmo então, quando você for mera poeira, eu continuarei verdadeiro.
Eu sou a morte, e quando eu te amo, é pra sempre.
Para sempre.



1 de março de 2014

Acatisia

No começo a intensidade criou uma síndrome em nossos olhares.
Eu premeditei seus passos para que você pudesse seguir junto aos meus.
Mas eu o meu vício em controle acabou saindo fora de controle.
A tua hiperatividade se hiperativou com a minha.
Criando belos impulsos de sexo e loucura.
Deixando assim nossos corações inquietos.

Ah a ansiedade de amar, e ser amado.
A inquietude da alma não para.
E o tempo corre na velocidade da luz.
Mas nossos egos deixou tudo tão escuro

Nossos corpos parecem estarem querendo voar.
Mas o nosso tormento é não estar em movimento.
Estamos presos dentro de nós mesmos.
Enquanto o paraíso não chega.
Estamos sentados no inferno.
Presos com as correntes do nosso orgulho.

Observando o fogo em volta.
Toda aquela paixão querendo explodir.
Mas o gelo insiste em nos paralisar.
Congelando tudo que há dentro de nossos corações

Mas os sintomas são reais.
Esse desassossego que faz as nossas tripas quererem saírem para fora.
O senso ilusório de alguma luz.
Nos fazendo vagar em círculos nesse túnel escuro da vida.

E o nosso desejo de estar juntos.
Se manisfesta em forma de terror.
Nossas mandíbulas ficam descontroladas.
Fazendo nossas palavras parecerem um quebra cabeça indecifrável.

Se afastamos na distância
E a dor palpita.
Tua coluna vertebral endurece.
Cessando todo o movimento do seu coração.
O frio em nossas espinhas ilustra a nossa frieza.
O oposto do oposto nos opõe nessa oposição

Essa estranha incapacidade de mover o nosso amor.
Criou um conflitos em meus nervos.
Meu coração está me contorcendo.
Eu preciso de você.

Obs: Postagem publicada de número 100 do blog

29 de julho de 2012

A Cocaína



O meu amigo era usuário de cocaína via endovenosa, isto é, aplicava direto na veia. Eu era "tri-cagão", tinha medo de injeção e não suportava a idéia de injetar-me. Resolvi aceitar a coca, mas só cheirar. Realmente cheirar cocaína era muito diferente de tudo que eu havia experimentado até então. A primeira coisa que eu gostei foi o gosto dela na língua. Dá uma dormência e tem um gosto picante que vicia. Dá vontade de ficar colocando na boca sem parar. No momento que você cheira dá uma ardência muito grande no nariz. Dá uma vontade de espirrar, sem parar.
A seguir vem o ápice da cocaína, o seu coração dispara e parece que ele vai parar, dá um medo horrível, um medo de você morrer. Imediatamente após isso, te dá uma vontade de falar, falar coisas bem íntimas e de “profundidade”.
Tudo que você fala parece ser levado em grande conta pelos amigos que estão a sua volta. Isso faz você se sentir muito bem, dá uma sensação agradável, de que você é importante, de que você tem quem te ouça. De que você faz parte de uma “elite” especial, de pessoas diferentes, diferentes das outras.
A parte que mais você acaba gostando no uso da cocaína, na verdade é o ritual. O ritual de sair à compra da droga. O ritual de preparar a droga para você cheirar. Dá uma sensação de poder sobre o destino, algo quase inexplicável.
Só à luz da psicologia você pode entender. Mas a cocaína também te dá uma forte ilusão de amizade por parte de outros viciados que dividem com você a experiência de usar. Você parece que se sente intimamente ligado a cada um deles, como se eles fossem parte de sua família, como se eles fossem seus irmãos. E essa também é a pior parte, pois você logo começa a se decepcionar com os seus “amigos”. Porque a verdade é que a droga causa uma dependência química muito forte que lhe altera completamente o caráter. Principalmente a cocaína.
Ela toma conta de você. Você só consegue pensar em cocaína. Os amigos tornam-se para você apenas mais uma possibilidade de você cheirar. Você corre atrás deles a fim deles te ajudarem a comprar a droga. A fim de intermediarem para você a compra da droga. Muitas vezes você trás para eles as coisas que você quer vender e eles te ajudam a trocar as mercadorias pelo “pó”. A falta do “pó” é uma coisa terrível. Te dá uma grande agonia. Você também começa a sentir as crises de abstinência quando fica alguns dias sem usar. Essa crise é terrível, ela provoca sudorese, irritabilidade, depressão, taquicardia, indisposição física, falta de vontade para tudo. É por isso que é muito difícil largar o vício, porque você não agüenta ficar sem ela mesmo.
Para você agüentar, só com remédios especiais e muita ajuda de pessoas especializadas. Conforme a crise de abstinência, você pode até ficar violento e comete qualquer loucura para conseguir a droga. Eu por exemplo, já fiz muitas besteiras para conseguir dinheiro para comprar o pó. Uma vez roubei o aparelho de Fax do escritório do meu pai, vendi e com o dinheiro comprei a "merda". Cheirei aquela vez durante cinco dias sem parar. Passei todos os cinco dias trancado em um quarto de hotel, sem comer, sem beber e sem dormir. A cocaína tira o sono, o apetite e a sede. Você fica em cima da cama só olhando para as paredes, vendo elas se mexerem. Sentindo que tem gente embaixo da cama. Pensando que a qualquer momento a polícia vai invadir o quarto e te encher de balas. é uma sensação horrível a paranóia que a cocaína provoca.
Os primeiros momentos, aqueles das primeiras vezes, logo desaparecem e são invariavelmente substituídos por uma grande loucura. O sentimento de perseguição vai desde a primeira cheirada até o fim de todo o efeito. Esse sentimento também faz criar em você uma espécie de trauma que te acompanha mesmo quando você não está cheirando. Muitas vezes, faz horas que você não cheira e de repente você começa a sentir a paranóia, como se tivesse cheirado há pouco. Isso é chamado de “Flashback”.
Outra coisa que eu gostaria de lembrar são os sintomas que você sente quando está sem cheirar uns dias e de repente, vê na televisão uma reportagem sobre apreensão de drogas. Você ao ver o pó, imediatamente você  começa a tremer e suas mãos a suar. É nessa hora que você se dá conta que se tornou viciado, se tornou um dependente químico. A cocaína para mim foi a experiência mais terrível que tive com drogas. Eu fazia qualquer coisa para conseguir cocaína. Se eu tivesse que me prostituir para conseguí-la certamente eu o faria. Uma vez quase deixei que me injetassem a cocaína na veia. A administração da cocaína na veia é muito perigoso, pois a gente não sabe se a qualidade do pó é bom ou ruim. Os traficantes e os intermediários fazem muitas misturas a fim de aumentarem sua quantidade, diminuindo assim a qualidade da cocaína. Muitas misturas são perigosíssimas, e se entrarem em contato com o nosso sangue podem nos levar a morte. Também o fato da perda do controle da dosagem já aplicada antes é um dos grandes fatores de risco. Não podemos esquecer que o uso da mesma seringa por muitas pessoas transmitem sérias doenças para todos que usarem da mesma agulha, caso haja alguém infectado por alguma doença, como a Aids, por exemplo.

As experiências aqui relatadas foram transcritas com o objetivo de esclarecimento das pessoas que por uma razão ou outra, têm o desejo de saber o que é que exatamente acontece conosco quando nos utilizamos de drogas

Leia mais: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAIEgAJ/minhasexperienciascomasdrogas#ixzz23VH46y4h

1 de janeiro de 2012

Soneto Psicose


Fonte do Texto http://textos.yurivieira.com/poemas/soneto-psicose/


Tranqüilo estava a tomar um bom banho
Quando por trás da cortina do boxe
Surgiu um vulto brandindo faca inox
Que me deu um susto sem ter mais tamanho.

Rasgando a cortina às estocadas
Assomou-se a minhas pobres retinas
Uma mulher com os ares das meninas
Que anelamos sob luas danadas.

Nua, abandonou a faca e fitou-me:
“Cá estarei até abrir-te o coração…”
E achegando-se, sorriu e beijou-me.

Mas após amá-la com toda arte
Ela se foi, ao não ouvir, em confissão,
Meu amor qu’estava em toda parte.


8 de novembro de 2011

Aceitar


Fonte do Texto: http://www.saidaqui.com.br/

Somos feitos de eternas aceitações. Parece uma maratona interminável de situações interligadas, que nos levam à teste diariamente.
E talvez isso seja bom. Para nos manter focados e conscientes no que realmente importa.
Porque aceitar, de início pode parecer fraqueza, talvez até antipatia. Não pelo verbo em si, mas pela idéia falsa que ele transmite e representa.
Pelo dicionário, é sinônimo de concordar ou admitir. Mas no fundo, é muito mais que isso.
Aceitar é ser mais forte do que se parece ser. Implica coragem e humildade de onde já não se parece ter. E normalmente leva à superar coisas que já não pareciam ter volta.
Uma maneira honorária de dizer “dá para recomeçar” quando nem tudo está como desejado. É reconhecer que todos temos limites, defeitos, problemas e imperfeições.
É mais que isso, ser humilde o suficiente para entender que nem tudo é perfeito. Que o mundo que gira à sua volta, também gira em torno de 7 bilhões de pessoas. E que elas também tem suas barreiras.
Aceitar é ter coragem de acreditar que ainda assim, dá para ser feliz.
Que dá para gostar dos quilinhos a mais, do nariz meio torto, do cabelo ficando grisalho. Que dá para aturar a implicância do vizinho, o mau humor do irmão e a própria solidão.
Que ano que vem vai dar para comprar aquele carro tão desejado.
No fim das contas, vivemos sempre de querer mais e esquecemos de agradecer o que já temos. Esquecemos de aceitar que as pessoas eventualmente nos machucam, e que algumas coisas eventualmente dão errado.
O teste de fogo é como lidar com o que não sai como planejado. Aceitar não é mais do que reconhecer nossas limitações e admitir que precisamos uns dos outros, que podemos juntos deixar de lado a vergonha e o orgulho e dar lugar à algo maior, mais unido, autêntico e espontâneo. Fazer dar certo de outra maneira, não deixa de ser um “fazer dar certo”.
Uma palavrinha tão pequena, com um significado tão grandão.
Aceitar é conseguir entender que perder, também pode ser uma forma de ganhar.

7 de junho de 2011

Perto do coração selvagem



Eu sou um pulsar.  Sou um quasi stelaris objectus. Sou um cometa.  Sou um corpo celeste, incandescente em franca colisão com algum planeta desconhecido de uma galáxia distante. Uma tragédia iminente.
Eu sou uma grande bola de fogo, eu sou um torpedo, uma bola de canhão, uma ogiva nuclear em ponto de fissão sou matéria em combustão e preciso queimar, queimar, queimar, até a última molécula de minha existência.
Eu pensei que com o tempo esse fogo fosse diminuir, com o passar dos anos  minha luz fosse enfraquecer, minha velocidade fosse se fixar, minha sanha cessar.
Mas não. Eu ainda latejo à deriva no espaço, pronta para engolir um universo qualquer.
Eu preciso de fruição. Preciso respirar toda espécie de arte, preciso estimular todos os meus sentidos, de preferência, ao mesmo tempo. Preciso de sinestesia, melodia, anestesia, alegria.
Preciso tocar, provar, cheirar, engolir, ouvir, enxergar e transcender.
Preciso de plantas, de música, de certas substâncias que tenham o poder de alterar minha consciência: seu beijo, seu cheiro, preciso de bichos,  preciso de troca: de idéias, de carinhos, de palavras,de fluidos, de insultos, de elogios, de identidade.
Preciso alterar a ordem das coisas, preciso quebrar regras, preciso correr, preciso me consumir, preciso contemplar o caos e me deixar ser tragada por ele.
Preciso de corpos, preciso de suor, preciso beber, preciso me alimentar do mundo.
Preciso aprender, preciso absorver, preciso reter, preciso segurar, viver.
Para depois ceder.
Expelir, emanar, desprender, desmanchar.
E então, deixar de brilhar.

19 de maio de 2011

Sobre a Verdade



Quando parece que é mentira, é porque é verdade. Os filmes, os livros e as músicas, são frutos da imaginação humana, retratos da realidade criadas dentro da nossa cabeça, simulações as vezes utópicas da vida ‘como deveria ser’. Pensando assim, a gente se acostuma a achar que, para sermos felizes, temos que aceitar essas mentiras e fazê-las verdades genuínas. Os mais sabidos, inclusive, dão-se por satisfeitos ao resignarem-se com a idéia de que a ignorância é pré-requisito pra felicidade e que, como ‘seres superiores’ que são, não se vêem passíveis de serem acometidos por esse sentimento, mesmo sabendo que ele está por ai, em todo lugar.
Está nos filmes, nos livros e nas músicas, mas não está dentro de nós. A gente lê e relê mil vezes, assiste, grava e revê, ouve a música em volumes ensurdecedores na vã tentativa de capturar esse sentimento, nem que seja so por alguns segundos, nem que seja só um pouco. E quando parecemos estar sentindo, nosso mecanismo de auto-desesa, programa-se para fazer com que a gente ache tudo aquilo não passa de um placebo, uma doença da alma, uma doença sem cura.
Aí, há uns 3, quase 4 meses atrás, eu que sempre fui sabido, cético e conformado com a finitude do amor, com os limites do que se sente ávido defensor do individualismo, vi tudo mudar perante os meus olhos, e não estava na TV, no papel e nem no meu aparelho de som. E, definitivamente, não é de mentira. Tão verdade é que hoje eu vejo tudo diferente, pois não tenho mais cortinas na frente dos olhos.
Hoje eu vejo, que os filmes, os livros e as músicas não estão ai por acaso. Eles são manifestações concretas de momentos em que o homem conectou-se com o divíno, que paira no ar, mais é invisível aos olhos. São fragmentos de pequenos milagres operados por mãos trêmulas, imperfeitas, e pecadoras. São imagens de um destino do qual a gente precisa estar em constante procura, até o fim dos nossos dias.

Digo isso por que encontrei o meu.

16 de maio de 2011

O amor está em Apuros



Talvez não caiba a mim encontrar o paradeiro do romance perdido, porque ele não me escapou pelos meus dedos desatentos, não está ao relento entre o meio-fio e os carros, 
não se esvaiu juntos ás memórias de uma madrugada ébria. Me corrói as entranhas cogitar 
a hipótese de que talvez jamais tenha, de fato, existido aquilo que tenho procurado. Me perfura os pulmões a constatação daquelas coisas que, mesmo assumidamente prováveis e esperadas, eu ingenuamente negava até o fim que pudessem acontecer.
As piores verdades são aquelas que parecem mentira

Ma então o que é a verdade, se não tudo aquilo que acreditamos com todas as nossas forças, até o momento em que não cremos mais? As verdades mudam, e as minhas mudam numa velocidade que acredito que ninguém seja capaz de acompanhar. Justamente por isso, tratei de despir meus sentimentos de poesia. No entanto as minhas situações, mesmo nuas de significado, mesmo ceticamente analisadas com a frieza de um cirurgião, teimavam em rabiscar sorrisos na minha cara. Sorrisos que não saíam em água corrente. Mesmo assim 
tenho vivido ao pé da letra o ‘dia-após-o-outro’, jamais adornando os dias com meus costumeiros exageros que conheço bem. 
É difícil manter os pés no chão enquanto a mente voa.

Talvez o que me compete seja justamente diagnosticar a completa inexistência do romance, 
ou constatar que trata-se de um bobo conceito hipotético. Uma idéia que nos inspira, que nos motiva, que nos estufa o peito através de um brusco sopro do mais puro nada. Uma isca que nós, mesmo após fisgados sucessivas vezes, seguimos mordendo, constantemente e com convicção. E eu mordi mil vezes e vou morder outras duas mil, justamente por acreditar na chance de somente por uma vez, aquilo tudo não ser uma mentira.