Tá tudo escuro
Minha alma e a escuridão se encontraram
Estou sozinho
As luzes dos postes em frente de casa queimaram
Medo?
Eu?
Medo dos perdidos da madrugada que podem arrombar as portas?
Que podem roubar e matar?
Não! Jamais. Eles que deveriam ter medo de mim
Aliás nunca ande no escuro
Pode-se encontrar um monstro lá
E eu estou aqui em frente
Com a sanidade armada de paranoias
E com as paranoias armadas com granadas
Que os queimariam fazendo deles meras pólvoras
As luzes dos postes em frente de casa queimaram
Do escuro dá para enxergar melhor quem está vindo da luz
Que venham os homens cegos de coragem
Que eu os empalarei com uma afiada cruz
As luzes dos postes em frente de casa queimaram
Só estou aqui à paisana
Em busca de paz e sossego
Quero sentir o vento
Encontrar uma brisa
Que se conecte
Com minha mente sombria
As luzes dos postes em frente de casa queimaram
E espero que permaneçam apagadas
Assim dá pra ver claramente
As criaturas que agora estão despertadas
Elas vagam como exércitos marcham
Em busca de sangue e caçadas
As luzes dos postes em frente de casa queimaram
Assim dá pra ver melhor o luar
As criaturas uivam
E eu só quero ouvi-las
E aos uivos delas
Dançar
As luzes dos postes em frente de casa queimaram
E eu só quero que o brilho da lua
Brilhe em meu olhar.
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20 de outubro de 2015
As luzes dos postes em frente de casa queimaram
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11 de outubro de 2015
Morto vivo.
Você chega ao um momento da sua vida em que a morte é mais amiga de você do que sua própria vida. Sua vida abandona você na esquina, enquanto você está bêbado, sozinho e sem nenhum amigo por perto, numa zona perigosa da cidade. E mesmo assim, você acorda no dia seguinte, e a vida te obriga a viver. Mas a morte está ali em forma de pequenas doses de sensações de poder. A euforia se apaixona por você, e você a beija e a abraça forte. As pupilas se dilatam no tempo. A mente se distorce em insanos pensamentos. A vida te abandona, quando você precisa de ar pra respirar. Você fica entubado em uma cama de hospital. Fazendo lavagem estomacal. A vida te abandona quando você precisa alimentar seus vícios. E o coração fica com cheiro podre de hospital. A vida tenta te convencer que a ambição são somente ilusões de grandeza. A vida te mostra que os sonhos são a destruição da realidade. E quando você está chegando lá em cima, no topo do seu próprio ego. Seu coração acelera, o pulmão fecha, e a vida te chuta lá de cima, e você cai direto em um esgoto cheio de sujeira. A vida faz você sentir falta do fundo do poço, pelo menos lá tinha água e doses de cachaça pra você entrar em coma. E permanecer ali. Mas a vida vem e rouba até o pouco de miséria que mal temos. A vida não nos deixam dormir, ela prega nossos olhos, com agulhas, costurando nossa percepção sem anestesia no quarto da insônia. E a insônia mantêm minha imaginação se dilatando na paranoia. A vida me olha com os olhos bem abertos em meus olhos, e não me diz nada, levanta e me dá as costas. A vida me abandona quando eu preciso dela para vivê-la. Ela sai do quarto, fecha e tranca a porta. E me deixa morto lá dentro de mim mesmo. A vida ainda não sei o que ela é, não sei qual o sentido dela. Só sei que acordo todo dia, e me deparo com ela no espelho. Ela encara minha alma e me oferece um cigarro toda manhã. Ela é simpática no café da manhã, quando leio as tragédias e os assassinatos em séries pelo jornal do dia. É só mais um dia normal da minha vida, eu sei. Mas a vida me olha como se eu fosse o principal suspeito. Mas também me olha como se eu fosse um erro perfeito. A vida talvez seja eu mesmo, cobrando demais de mim mesmo. Aliás a vida é minha, e eu faço que eu bem entender. Talvez seja somente eu, apaixonado por uma imagem distorcida e distante no espelho, Talvez as minhas qualidades sejam o meu maior defeito. A vida nos cegam com doses de egomania nos fazendo sonhar alto demais. E ela mesma nos derruba lá de cima, para nos fazer acordarmos pra vida. A vida me matou e me deixou vivo. Mas eu não sinto nada. Eu me alimento de mim mesmo, deixando expostos meus sentimentos em carne viva. Deixando toda a empatia em estado lento de putrificação. A vida me transformou em um animal sem instinto. Em um ser estranho esquisito. A vida é como um carrasco insensível a sangue frio.
A vida me transformou em um morto-vivo.
A vida me transformou em um morto-vivo.
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