26 de março de 2013

Houve

Houve um dia, um dia que sonhamos,
e tudo que foi planejado, foi-se embora em meio aos dias,
entre tantas sensações, a saudade. Tudo; tornou-se cinza.
Pela fumaça do cigarro a ansiedade voou longe, assim como a brisa.
Tudo foi se tornando uma lembrança, como nossas fotos em fotografias.
Como um desenho, que você cria, que você imagina.
E antes de melhora-lo, você o pinta,
mostra para os outros, como uma obra de arte, você o admira.
E para ter novas ideias, e uma nova forma, você o termina.
E o guarda com outros desenhos, em uma pequena caixinha.
Onde está as saudades, onde está os erros e os acertos.
Juntando pó e teias de aranha junto com os nossos beijos
E o tempo somente vai aperfeiçoando sua ira.
Porque por mais que o tempo passe..
Sem mim, você sempre irá estar sozinha.

8 de fevereiro de 2013

Seguindo

Corações em lugares paralelos, distantes.
Eu aqui, e você do outro lado.
Noites sem fim, apenas eu e um céu estrelado.
Meio sem rumo, dirigindo na estrada.
Saudade, um sofrimento admirável.
Há um vento frio, e minha mente se cobre de paranoias.
Apenas o sabor do vinho me conforta e me abraça.
E agora apenas a lua brilha.
Pensamentos entrelaçados em um nó, juntos com o gosto amargo na garganta, cocaína.
A percepção aumenta, uma inspiração sobre a loucura.
Seu corpo fica gelado, repleto de euforia.
E assim eu vou rodando pela cidade.
Aos poucos, tudo vai ficando pra trás.
Vou seguindo em frente, nessa sensação de liberdade.
Sem olhar pra trás, com um suave toque de uma brisa.
E o tempo está passando, está correndo.
E quanto mais distantes ficamos, mais o meu mundo esfria.
E eu vou seguindo, seguindo.

“É o amor que faz o mundo girar. Se isso for verdade, então este mundo deve ter girado um pouco mais rápido enquanto você estava aqui” (CM)


25 de janeiro de 2013

Frieza

O inverno havia chegado, e mais cobertores foram postos sobre nós. Após um verão quente como a paixão, e a tranquilidade do outono, finalmente havia chegado o inverno, onde nossos corpos ficariam mais próximos. Para esquentar a frieza do clima.
E aquelas manhãs geladas, me envolvia em uma certa sensação de paz. Apesar da tranquilidade, aquele tic tac no relógio, me deixava um pouco inseguro. Algo estava errado, eu sabia que estava. Algo tentava me dizer que o tempo estava prestes a acabar. Dizem que: "A morte está escondida no ponteiro dos relógios" A qualquer momento pode ser a sua hora.
Apenas aquele frio acalmava meus pensamentos negativos.
"A geada, o vento, a música na sala, eramos apenas dois, em uma só alma"

Mas eu pude perceber, era como se eu estivesse sozinho, naquela cama, debaixo daqueles cobertores, eu não sentia mais você presente comigo. Você estava distante, fria, e o seu olhar já não era mais o mesmo.
Mas eu jamais conseguiria viver sem você. Eu não poderia perder você. Foi quando eu peguei em suas mãos, e deitei ao seu lado. Te abracei e perguntei: O que há de errado com a gente? O que aconteceu com nós nesses últimos dias?  Mas você não me dizia uma palavra, havia se tornado indiferente.
Foi quando meu inverno havia se transformado em uma tempestade de neve.

Tentei te segurar em meus braços, mas você não me olhava
Foi quando eu gritei, mas você não me escutava.
Foi quando eu lhe apertei suavemente, mas você não sentia nada.
Havia se tornado uma pessoa indiferente, fria, gelada.

"Um ano se passou, e eu lhe guardei na lembrança, enrolada num cobertor. Em um compartimento, junto com outras tantas lembranças, dentro do congelador. Eu pude te-la comigo, e finalmente eu pude consertar as coisas;  foi assim que conservei o nosso amor"

Eu queria tanto você junto comigo em dias de frio, que eu mesmo fiz um casaco com tua pele. Nada mais é distante ou indiferente. Você está em mim, tão perto e não importa o quanto. Você está aqui.

Moral da história: Jamais deixe sua relação esfriar.



16 de janeiro de 2013

Pensamento

E as horas não passam,
é como um roda girando, girando na minha cabeça,
não tem fim, não tem começo, apenas pensamentos,
e com o passar do tempo, eles vão tomando cada minuto de todo o meu tempo.
Tudo que sinto é aquilo que penso,
São pensamentos que me trazem alguma emoção, algum sentimento.
Pensamentos que passam do meu sistema nervoso para meu corpo,
que passam pelas minhas veias, 
que passam pela minha corrente sanguínea,
Percorrem dentro de mim até chegar no coração.
E isso tudo, é apenas o que penso,
é tudo que sinto.
É apenas escuridão.

Agora...
apenas tente ver em meus olhos, que você finalmente irá perceber que, 
eu simplesmente não estou ali.. 
Estarei distraído pensando em você.




18 de dezembro de 2012

O primeiro encontro

Ainda consigo me lembrar, do nosso primeiro encontro. Era um dia calmo, ventava suavemente, não estava tão calor, nem tão frio. Havia um certo equilíbrio naquele dia. Fomos passear pelas praças da cidade, fomos ver o rio, e conversamos sobre nossos crimes aquela tarde, e naquele momento você se tornou a minha cúmplice. O beijo era apenas um detalhe, mas eu me lembro do sabor, do seu batom vermelho, aquele sabor, se impregnou em meu paladar. Parecia que, literalmente eu tinha bebido você. Como vinho tinto.
Eu tinha ficado com "gosto de você" em minha boca. E como toda coisa saborosa, seu corpo vai precisar experimentar mais uma vez. Como uma droga, a primeira viagem é sempre a melhor, e você pode se viciar. A paixão vicia, nos deixam com um sorriso bobo no rosto, mas nos deixam malucos, nos deixam dóceis, eufóricos, mas psicóticos.
Aí eu me recordei daquela noite. Secretamente você veio. E quando novamente eu senti aquele sabor. Eu perdi o controle, percebi que não poderia deixar você ir embora, nunca mais. Eu perdi a noção da realidade, e enlouqueci. Eu não podia deixar você ir. Então..
Eu te prendi, te acorrentei, pelos braços e pelas pernas. Tranquei as portas e as janelas. Deixei a música tocar bem alta, para garantir que ninguém ia ouvir os gritos.
Eu te sufoquei, peguei forte em seu pescoço, e apertei, e sufoquei mais uma vez..
E antes que você pudesse respirar novamente, eu apertava mais forte. Aquele momento, você ia só viver por mim, eu ia ser o ar que você respira.
Estávamos sozinhos, e antes que você pudesse gritar, eu tapava sua boca, colocava meus dedos em sua boca, e te silenciava. "Silêncio, suspiros leves - troca de olhares -"
E antes que você tentasse tomar o controle, eu pegava em seus cabelos, e puxava forte. E antes de qualquer coisa que fosse, eu te sufocava, te apertava, te enforcava, te beijava, te arranhava e te enforcava de novo, te beijava, e te amava, e te amava.
Batimentos cardíacos se aceleraram, a pressão sanguínea e o ritmo da respiração também chegaram ao ponto máximo.
E antes que você pudesse fazer qualquer coisa, 'você gozou.'

"Não há nada mais violento que o amor"




1 de dezembro de 2012

Posse

Você me surpreendeu com um beijo, e o tempo parou. E agora você não pode mais parar de me sentir. Eu estou dentro de você. A paixão que sentimos agora, é a obra fisiológica, mais admirável que passa pelo seu corpo. Um impulso que fez nossos músculos, agirem como contração involuntária, comandando nossos desejos. Pequenos prazeres que passam pelas nossas artérias e veias, que entrelaçam  os nossos corpos, como se fossemos apenas um sistema, um só corpo. Em apenas uma noite, sem fim

Passaram noites e dias, e o que era apenas, paixão. Agora se tornou uma só vida, que a dividimos,  e administramos com os nossos sentimentos. Agora é amor, amor que circula pelas nossas artérias, veias e vasos sanguíneos, que se impulsionam pelo coração. Amor que funciona como uma bomba que a qualquer momento pode explodir, de alegria ou raiva. Mas nossos sonhos funciona como sangue, que enche ao dilatar-se, e o impulsiona pelas nossas artérias de uma só vez, nos exercendo mais vida.

E os nossos beijos, são os nutrientes para o nosso oxigênio. Eu sou o ar que você respira agora; Você me beijou, você me curou. Você me convidou para entrar dentro de você. E agora sou como sangue para suas veias, que circula dentro de você. Sou tua vida, teu amor, tua posse. Eu sou você. Não tem como escapar mais, eu estou preso, eu possuí você, e você me prendeu. Como aqueles contos românticos "me prendeu dentro do seu coração a sete chaves"  Ninguém mesmo irá chegar perto, desse amor tão belo.

Desse amor possessivo. 

29 de novembro de 2012

Quimérico

Eu estou aqui, do seu lado. Sente minhas mãos nas suas? Eu estou aqui, mas é como se eu não estivesse, como um holograma. Você consegue me ver ? Olhe em meus olhos e me faça real. Fique e não vá embora. Eu estava feliz, mas não havia sorrisos. Eu te abraçava, mas não sentia o calor do seu corpo. Talvez foi o vinho que nos trouxe essa euforia. Dançávamos, mas não havia música. Juntos, rosto a rosto. Seja minha e não vá embora.

Subimos as escadas, mas não havia como voltar. Era um quarto cheio de espelhos,  mas não havia reflexos. A cama tinha visão para as estrelas, mas não havia brilho algum. Eu te tocava, mas não a sentia, era como um fantasma. Havia beijos, mas sem sabor, havia sexo, mas sem fogo, havia abraços, mas sem calor. Você me dizia algo, mas não havia vozes. Cada som, parecia estar tão distante. Havia apenas o eco do vazio. Juntos, dormimos. Adormecemos; mas não havia sonhos. Amanheceu, mas não havia sol.

Me virei nos lençóis, mas não havia você. 

Você não estava mais ali, não estava mais do meu lado. Eu te procurei pelos cantos do quarto. Mas nem seu perfume impregnava ali mais. Era como se você nunca tivesse estado aqui, e mais uma vez, eu estava sozinho. Eu estava triste, mas não havia lágrimas. E quando eu menos esperava, eu me dei conta, e caí em si. Nem eu mesmo estava ali, não havia nada, nunca houve. Nunca estivemos lá. Nós não existimos mais, nem ao menos sei, se realmente já fomos reais. Talvez foi aquele absinto que nos trouxe essa ilusão. Nada disso foi verdade, acabou.

20 de novembro de 2012

Café

Pode ir dormir com os anjos, e reserve bons sonhos para acumular sorrisos pela manhã.

Eu te serviria o café da manhã, te daria um abraço e um beijo de bom dia. E arrastaria uma cadeira, para sentar ao seu lado. Observaria você comendo as torradas que você tanto adora comer, crocantes, com um pouco gosto amargo de geleia de pimenta. Olharia para o relógio, para certificar que você não estaria atrasada para o trabalho. Mas dali mesmo daquela mesma cadeira, do seu lado. Eu seguraria suas mãos, por um rápido segundo, para sentir um pouco do calor que seu corpo me passaria num minuto para o outro. Mas você não percebe que estou ali, observando os pequenos detalhes. É tudo uma pequena distração. Olho seus pés passarem entre as pernas da mesa, e percebo, pela sua delicadeza, que sou eu que durmo com os anjos. Me levanto da cadeira para escovar os dentes e ir ao trabalho, te dou um beijo e digo que a amo. Já se passaram dez minutos desde então. E a ansiedade toma conta.

Olho no espelho, por um instante, me admiro. Enquanto escovo os dentes, olhos diretamente para meus olhos, para mim mesmo, e me pergunto, 'o que é o amor próprio'? E um leve sussurro em meus ouvidos me fala sobre a minha obsessão. Nesta hora, no meio de um devaneio, eu me dou conta, do que eu tinha feito. Do que eu tinha planejado meticulosamente por tantos dias. Paro e respiro fundo. Começo a fazer a barba, e me corto num leve deslize. Enquanto cai de gotas de sangue sobre a pia, vejo que já passou o tempo suficiente, para eu voltar para o a mesa e terminar o café da manhã. Eu precisava me despedir dela, como sempre fazia todas as manhãs, antes de ir trabalhar. Com um beijo bem molhado.

Eu não senti nada, não ouvi nada, mas enquanto eu tentava ficar elegante no espelho. Nos exatos quinze minutos que passaram. O veneno que coloquei no café quente enquanto eu preparava para ela, finalmente tinha começado a fazer efeito. Ele circulou pelo seu sangue, pelo seu corpo, e cada minuto que passou, simplesmente tirou a sua vida. E eu nem pude ouvir seu último suspiro. Mas agora está tudo bem.

O pior já passou e eu já preparei o lugar onde eu vou manter você junto comigo. Juntos. Era o que queríamos desde o começo, que sempre sonhávamos. Juntos para sempre. Lembra?

Minha psicose tornou o nosso amor imortal nos lençóis sobre nossos corpos irreais, no tempo que nos encontramos quando nos olhamos. Sua pele pálida, dou um beijo em seus lábios, sua saliva logo conclui a morte. Você se deitou comigo na mente, e agora não vai sair. Você abraçou o meu coração e agora não vai soltar. Nunca mais. Eu te amo intensamente.

Agora você nunca mais poderá ir embora.

6 de novembro de 2012

Livre

Estado de desespero, desesperadamente procurando novas emoções. Mas nada se sente, nem mesmo o toque dos seus lábios sobre os meus, nem quando você me beija e me abraça. Distante da realidade, as horas engolem os minutos, e os segundos devoram a minha mente. Perdido em pensamentos, todas as noites, penso como posso perder todo esse tempo pensando em você. Como eu pude pensar tanto e não sentir mais nada? Talvez seja apenas saudade.

Saudade das cores do dia. Os dias são como uma estrada durante a noite, onde as luzes dos faróis dos carros se misturam formando cores fortes e intensas, causando um momento surreal. Cores que passam através de mim, como se eu fosse um fantasma. É como se eu nem mesmo estivesse aqui. O vento é a única sensação que me conforta, é como um abraço suave e afetuoso num dia de verão colorido. E todas as madrugadas, quando chego em casa, a realidade está lá me esperando, e todas as cores se tornam cinzas, num tom bem escuro, que me completa.

As paredes se fecham dentro dos meus sonhos. E meus pensamentos ficam esmagados, e de repente, eu posso sentir a brisa do sol lá fora, e abrindo os olhos eu vejo; um novo lugar. Lá fora há um novo lugar, que nem sei ao certo onde está, mas está lá. Sinto, agora eu sinto. E percebo que os mundos, o meu e o seu, não se colidem mais. Estamos em universos diferentes, nem eu e nem você podemos conseguir saber onde nós estamos. Você se foi e ambos não pudemos mais nos sufocar. Aqui eu posso sentir o vento, e respirar o ar.

Aqui eu me sinto completamente livre.

"By coming home"

28 de outubro de 2012

Lembra-se

Imagine o passado e suas formas. Todas as suas formas, daquelas mal feitas e amarrotadas, estilhaçadas dentro da memória. O presente se torna algo valioso. O momento do agora, o barulhinho irritante do relógio se torna música aos ouvidos. É neste espaço curto do tempo, num reflexo das nossas lembranças, que chegamos a conclusão; que voltar ao passado, é pura perca de tempo mas ao mesmo tempo necessário. Para que o tempo não possa se repetir nas horas do agora e nem do tempo do amanhã. Tudo é uma questão de mero tempo, que se perde em nosso tempo, eventualmente criando novos tempos para se viver. Como o agora.
As feridas que agora cicatrizam, se curam, para em cima delas no futuro surgirem novas. E tudo vai se tornando apenas passado. E quando mais o tempo passa, mais percebemos que o presente é o único momento importante.
Momentos como a chuva que cai lá fora, o vento e a brisa em nossos rostos. A raiva e a paixão que nos explode por dentro e por fora. A música que nos ilumina o coração, criando imaginação e vida aos nossos sentimentos. Como agora, que toca. Na noite, quente e calorosa. Como agora, neste exato momento; aqui estou eu escrevendo essas palavras. Relembrando momentos que já se foram. Junto comigo mesmo. Procurando um sentido para esta solidão.
Apenas aproveitando os pequenos momentos, junto com meus pensamentos. Pensamentos que são como fantasmas. Mas fantasmas que não assombram, fantasmas que fazem companhia.

"Lembra-se sempre de quem você já foi, de quem você se tornou, e jamais esqueça quem você realmente é. Agora"


E foi no fim que onde tudo começou.