Às vezes as noites tem um teor alcoólico alto.
Que nos deixam alto sobre as estrelas.
Que desaparecem na imensidão de nossas mentes.
Um universo único onde flutuamos dentro de nós mesmos.
Um mundo girando do avesso enquanto a tempestade cai dentro de você.
A felicidade escondida entre as nuvens vermelhas alarmando uma forte chuva.
É a forma mais belamente metafórica de dizer que aquele momento ali no tempo é apenas uma ilusão.
Porque quando a chuva cai, você se molha e se perde em becos escuros.
A boca seca sedenta por mais um gole de autodestruição.
A visão embaça como um espelho de carro na chuva.
Você encontra pessoas que nunca viu nesse vida.
Talvez irreais, amigos imaginários ou não.
Palavras doces mas por dentro infestadas de veneno.
Enquanto você vaga na sua própria confusão.
Aos poucos você vai se perdendo no tempo.
Aqueles flashes conhecidos como apagão.
Você se esquece no próprio esquecimento da sua lembrança.
Você se acha o dono do mundo.
Sendo que é o mundo que se tornou dono de você.
Te controlando através da sua fraqueza.
Com um copo atrás do outro.
Te fazendo cada vez mais cair em tentação.
E por fim seus olhos se fecham.
Você cai.
E finalmente você está em paz, num sono construído de solidão.
E quando você acorda de dia.
Você percebe que mesmo que esteja fazendo sol.
Você finalmente reencontrou a escuridão.
A ressaca por fim é sua única companhia.
Que te abraça.
Que te arrasta.
Que te corrói.
Destruindo a sua moral aos poucos.
Cuspindo na sua cara enquanto você está imóvel no chão.
Enfim a realidade finalmente torna forma.
Você olha para todos os lados.
E percebe: Que você esteve sozinho nesse tempo todo.
Você recupera a sua percepção.
E consegue finalmente perceber.
Que qualquer forma de fugir da realidade.
Só vai fazer você encontrar a perdição.
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10 de março de 2014
Simplesmente
Noites onde a cidade nos engole como vinho tinto.
Nos fazendo se perder em nossos próprios becos escuros.
É simples; e simplesmente cansei
Sorrisos sem risos
Risos sem sorrisos
Olhos sem expressão
Expressões sem boa impressão
Dias com uma maravilhosa luz
Mas que ofusca no horizonte
da escuridão.
Amores de uma noite só
Sexo sem amor
Amor sem nexo
E nexos sem nexo algum
Apenas orgasmos
Sujo e fantasioso
Olhares apaixonantes
Mas ocultamente
um ato malicioso
Meu coração transborda amor
Mas não há ninguém que o afogue junto comigo
A manhã seguinte é sempre o adeus
É simples; e simplesmente cansei.
Ninguém permanece
Nem mesmo a vida
Eu sei
O pra sempre, sempre acaba, mas e o que acaba, acaba pra sempre?
Não desejo beber da solidão até o dia da minha morte
Eu aceito que um dia meu coração irá para de bater
Mas quando ele estiver prestes a parar
Eu quero que algo esteja lá
Mesmo que seja um fantasma
Transparecendo alguma verdade
É simples; e simplesmente cansei.
E enquanto isso, no meio de tantos devaneios
Notei que tempos andam se perdendo nos tempos
Então procurei criar meus próprios ponteiros
Meu próprio relógio que pulsa no meu pulso
Dando o impulso para eles girarem criando um sonho
Que quando eu estiver no meu leito da morte
Que quando eu estiver no meu leito da morte
Alguém entre no quarto e esteja lá apenas
Pra eu simplesmente poder dizer:
-Obrigado pela companhia.
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29 de abril de 2013
Madrugadas
Em volta de tanta gente,
mas por dentro a solidão,
tocando vários lábios,
em diferentes formas de tesão,
prazer desenhado em formas femininas
beijando o ego inflado,
olhos, toques, mãos.
As noites tem um teor alcoólico alto
cada garrafa uma desilusão,
engolindo tudo pelo gargalo.
E em cada esquina
algumas gramas de felicidade
acelerando os batimentos do coração.
Vagando de bairro em bairro,
seguindo as luzes da cidade,
que ilumina a escuridão
em busca de uma companhia que fique,
que sonhe comigo nessas madrugadas,
que não passe como uma paixão.
Uma nova esperança
um novo sentimento
tão quente quanto ao significado do intenso
e finalmente dizer adeus às fantasias.
Vou acordar com você do meu lado,
e ver que o passado se tornou cinzas.
"e que dure mais tempo que o tempo."
mas por dentro a solidão,
tocando vários lábios,
em diferentes formas de tesão,
prazer desenhado em formas femininas
beijando o ego inflado,
olhos, toques, mãos.
As noites tem um teor alcoólico alto
cada garrafa uma desilusão,
engolindo tudo pelo gargalo.
E em cada esquina
algumas gramas de felicidade
acelerando os batimentos do coração.
Vagando de bairro em bairro,
seguindo as luzes da cidade,
que ilumina a escuridão
em busca de uma companhia que fique,
que sonhe comigo nessas madrugadas,
que não passe como uma paixão.
Uma nova esperança
um novo sentimento
tão quente quanto ao significado do intenso
e finalmente dizer adeus às fantasias.
Vou acordar com você do meu lado,
e ver que o passado se tornou cinzas.
"e que dure mais tempo que o tempo."
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29 de novembro de 2012
Quimérico
Eu estou aqui, do seu lado. Sente minhas mãos nas suas? Eu estou aqui, mas é como se eu não estivesse, como um holograma. Você consegue me ver ? Olhe em meus olhos e me faça real. Fique e não vá embora. Eu estava feliz, mas não havia sorrisos. Eu te abraçava, mas não sentia o calor do seu corpo. Talvez foi o vinho que nos trouxe essa euforia. Dançávamos, mas não havia música. Juntos, rosto a rosto. Seja minha e não vá embora.
Subimos as escadas, mas não havia como voltar. Era um quarto cheio de espelhos, mas não havia reflexos. A cama tinha visão para as estrelas, mas não havia brilho algum. Eu te tocava, mas não a sentia, era como um fantasma. Havia beijos, mas sem sabor, havia sexo, mas sem fogo, havia abraços, mas sem calor. Você me dizia algo, mas não havia vozes. Cada som, parecia estar tão distante. Havia apenas o eco do vazio. Juntos, dormimos. Adormecemos; mas não havia sonhos. Amanheceu, mas não havia sol.
Me virei nos lençóis, mas não havia você.
Você não estava mais ali, não estava mais do meu lado. Eu te procurei pelos cantos do quarto. Mas nem seu perfume impregnava ali mais. Era como se você nunca tivesse estado aqui, e mais uma vez, eu estava sozinho. Eu estava triste, mas não havia lágrimas. E quando eu menos esperava, eu me dei conta, e caí em si. Nem eu mesmo estava ali, não havia nada, nunca houve. Nunca estivemos lá. Nós não existimos mais, nem ao menos sei, se realmente já fomos reais. Talvez foi aquele absinto que nos trouxe essa ilusão. Nada disso foi verdade, acabou.
Subimos as escadas, mas não havia como voltar. Era um quarto cheio de espelhos, mas não havia reflexos. A cama tinha visão para as estrelas, mas não havia brilho algum. Eu te tocava, mas não a sentia, era como um fantasma. Havia beijos, mas sem sabor, havia sexo, mas sem fogo, havia abraços, mas sem calor. Você me dizia algo, mas não havia vozes. Cada som, parecia estar tão distante. Havia apenas o eco do vazio. Juntos, dormimos. Adormecemos; mas não havia sonhos. Amanheceu, mas não havia sol.
Me virei nos lençóis, mas não havia você.
Você não estava mais ali, não estava mais do meu lado. Eu te procurei pelos cantos do quarto. Mas nem seu perfume impregnava ali mais. Era como se você nunca tivesse estado aqui, e mais uma vez, eu estava sozinho. Eu estava triste, mas não havia lágrimas. E quando eu menos esperava, eu me dei conta, e caí em si. Nem eu mesmo estava ali, não havia nada, nunca houve. Nunca estivemos lá. Nós não existimos mais, nem ao menos sei, se realmente já fomos reais. Talvez foi aquele absinto que nos trouxe essa ilusão. Nada disso foi verdade, acabou.
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10 de agosto de 2011
Uma semana
No teu copo com fogo fluem desejos nos meus olhos vermelhos…
Queria eu imaginar que ela não existisse, somente por um momento eu não queria que ela estivesse ali, mas ela estava, e estava realmente pronta para me levar ao mundo dela. Ela me deu uma carona no teu carro que tocava músicas de outra dimensão, enquanto as luzes da estrada refletiam as nossas almas ela me olhava atentamente e em instantes ela segurou as minhas mãos. Paramos em um lugar, um lugar distante de todo o mundo, um bar em um lugar paralelo onde somente nossas mentes poderiam chegar, um bar quente com bebidas quentes. Enchemos o porta-malas com todas as bebidas que conseguimos e partimos em busca de uma noite divertida e perdida.
Por mais que parecesse ser tudo imaginação, era real, mais que real. Tão real quanto o toque suave das mãos dela em meu corpo, seu beijo molhado que intensamente arrepiava a minha alma com cada movimento da sua língua, a boca dela dançava junto com a minha, estávamos dançando a dança do pecado e da luxúria, estávamos pecando e nos entregando ao desconhecido e tão desejado prazer íntimo de nossos pensamentos, em um só ato de sexo extremo. E quando eu me dei conta eu estava em um apartamento em uma cidade desconhecida, um lugar abandonado pelo tempo e que tinha cheiro de flores, cheiro de rosas, incensos e o perfume do corpo dela, cheiro de prazer, sexo, amor.
E então o que eu esperava que não existisse se tornou real, era como se eu estivesse sonhando acordado dentro de meus deslumbres e delírios, cada suspiro, cada movimento fazia o quarto se contorcer junto à minha imaginação, os objetos flutuavam e o único som que eu ouvia, eram os gemidos de prazer dela e os ruídos da cama sob o chão. Aquele lugar estava me hipnotizando de todas as formas. O ato de prazer se tornou algo perturbador mas me excitava impulsivamente e eu me entregava cada vez mais a ela! Percebi que não era amor, era sexo, era sujo, mas com carinho, de uma forma estranha havia muita compaixão, aqueles olhares profundos dela, e nossos corpos se movimentavam como um só, os toques suaves no rosto, carinhos, beijos românticos, abraços queimando de paixão!
E então o que eu esperava que não existisse se tornou real, era como se eu estivesse sonhando acordado dentro de meus deslumbres e delírios, cada suspiro, cada movimento fazia o quarto se contorcer junto à minha imaginação, os objetos flutuavam e o único som que eu ouvia, eram os gemidos de prazer dela e os ruídos da cama sob o chão. Aquele lugar estava me hipnotizando de todas as formas. O ato de prazer se tornou algo perturbador mas me excitava impulsivamente e eu me entregava cada vez mais a ela! Percebi que não era amor, era sexo, era sujo, mas com carinho, de uma forma estranha havia muita compaixão, aqueles olhares profundos dela, e nossos corpos se movimentavam como um só, os toques suaves no rosto, carinhos, beijos românticos, abraços queimando de paixão!
E então o tempo voltou ao normal, o relógio voltou a fazer tic tac, estava funcionando, dava pra ouvir o barulho dos carros lá fora, de pessoas acordando para irem cuidar de suas vidas, percebi então que já havia passado mais de uma semana, e nesse tempo alimentei-me somente de sexo, bebidas alcoólicas e comprimidos coloridos e esplêndidos. Olhei para o meu lado, e lá estava ela, aquela que me seduziu, me embebedou, e me drogou, e me levou ao mundo dela por alguns dias, ela acordou com um sorriso, passou a mão sobre o meu rosto, percebi que era ultima vez que íamos nos ver, e foi, mas eu também tive a certeza que ela nunca ia me esquecer, e que eu jamais iria tentar apagar esta lembrança. Ela está guardada na memória, aqui neste texto, em diários, em pensamentos, está guardada dentro de mim.
10 de junho de 2011
Ressaca
Sinto cheiro de vinho nos meus lençóis, poucas recordações. Noites alucinantes que eu venho tendo nas ultimas semanas. Lembro das luzes que passavam sobre meus olhos, quando eu estava dormindo no banco do carro em movimento, aquelas luzes dos postes, que iluminava meu momento ébrio. É uma lembrança surreal, alguém segurava as minhas mãos, mas não havia ninguém ali mais. Eu ouvia vozes me dizendo palavras sobre amor, mas ninguém falava ali mais. Se eu lembrasse por todos eu lugares que eu passei, com todas as pessoas que eu conversei, abraçei e beijei, se eu lembrasse, eu não iria sentir essa sensação de tranquilidade, essa doce ressaca, que me faz querer fazer amor com qualquer pessoa que me ame por algumas horas, que seja paixão, sexo ou até mesmo absolutamente nada, prazer por prazer. Eu lembro das fumaças coloridas e dos rostos embaçados, dos sorrisos desenhados em minha direção, não muito bem alinhados, mas estavam ali, de alguma forma tentando aquecer meu coração. Eu, quando bebo sou mais ou menos assim: “Eu sou um pulsar. Sou um corpo celeste, incandescente em franca colisão com algum planeta desconhecido de uma galáxia distante. Uma tragédia iminente” Nasci assim, vivo a minha vida nos exageros. Preciso tocar, provar, cheirar, engolir, ouvir, enxergar e transcender, ir alêm dos limites. Eu preciso estar acima de mim mesmo, mesmo sabendo que hoje é apenas um domingo solitário de ressaca.
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