7 de janeiro de 2015

Lixo

[Texto escrito em meados do final do ano de 2013]
Lembro-me da época que éramos apaixonados
iludidos em nosso universo perdido
o caos nos unia em um plano único real
você com seu ciúmes violento e visceral
e eu com minhas psicoses
do meu mundo paranoico surreal
mas o importante era o prazer de estarmos juntos acorrentados
parecia clichê, perfeitamente imperfeitos
mas estávamos doentes e apaixonados
e isso nos fazia extremamente felizes
e afinal era isso o que mais importava
mesmo que fosse de uma forma doentia
mas era autêntica
mesmo vivendo em um amor ilusório de crises
estávamos em sintonia intensa
quase que perfeita em nosso laço cheio de nós
nossos beijos comprovavam nossos crimes
os beijos quentes e molhados
que fizerem de nós não ser somente meros suspeitos
mas sim, os mais belos culpados
nós, juntos aos nossos devaneios
em meio ao júri
dois bandidos do amor
nos vendo como monstros de um assassinato
assassinos que mataram até sentir o último suspiro
mas somente nós sabemos o quão prazeroso foi o ultimo gemido
mesmo que fosse tudo mentira
mesmo que tudo fosse fingido
foi doentio
o poder e o controle foi esplendoroso
foi patologicamente criativo
foi sádico
foi prazeroso.

E então o tempo passou
e o tempo destrói tudo
e a nossa conspiração
era apenas um lobo em pele de cordeiro
o lobo era a paixão
e tudo que tínhamos passado juntos
se tornou uma torre de babel
em uma maravilhosa destruição
decaímos em nossas expectativas
e o amor destruiu cada coração
descobrimos então o gosto doce e amargo da ilusão
e tudo que você sentia nojo
começou a fazer parte de você
começou a fazer parte de mim
você se tornou aquele prato que você mesmo dizia
que nunca cuspiria
se tornando um mero passado
da minha vagabunda vida
se tornando um mera lembrança
nas tuas cartas repletas de mentiras
não havia mais luxúria e muito menos ganância
tudo se tornou meras fotografias
fotos tuas usando trajes sensuais
nua como uma libertina
e você suplicava para eu rasga-las
agora sua vida era tão vadia
como aquela vida que você tanto desprezava
seu ódio se transformou em sua vida
suas noites se tornaram regadas de álcool
transando com um para esquecer de outro
e transando com outros para esquecer de um
e cada um partiu para um mundo diferente
e desde então eu não te conheço mais
agora somos estranhos
agora é como se nunca tivéssemos nos tocado
você dormiu com meus amigos
na tentativa de me ferir, e feriu
mas esqueceu que pior que ferir o ego de um homem
é ferir o seu coração
e consequentemente a isso
tudo foi desaparecendo com o tempo
em meio de mágoas e de péssimas brisas
os abraços se tornaram uma agressão
o respeito foi levado pelas fortes ventanias
e os beijos ficaram secos e podres
refletindo a imagem que pra mim você se transformou
enquanto eu dormia com sua prima e com suas amigas
você se enganava numa ilusão de grandeza
que na realidade não passava apenas de internas feridas
fazendo você sentir nojo daquilo que você mesma tinha feito
o que antes era amizade e compaixão
agora é um texto que escrevo bêbado
lembrando de você somente quando volto de uma noite cheia de confusão
assumir tudo isso
assumir que um dia você já foi minha
só minha
palavras suas
prováveis mentiras
deveras ditas conspirando para me jogar na escuridão
isso me faz sentir vergonha de mim mesmo
me faz sentir como se tivesse dormido por dias em um lixão
eu não sei de mais nada, eu não sinto
eu apenas sei que quando lembro de você
eu vomito
porque tudo que você transparecia perfeitamente ser
se tornou um lixo.



4 de janeiro de 2015

O Abismo

Represento personagens para mim mesmo
em um vago e brilhante espelho
onde me leva a lugares desconhecidos
longe do meu universo
longe do mundo do medo
represento lugares onde eu nunca estive
onde tudo está inverso
onde tudo está ao meu controle
mesmo estando tudo desconexo
aparentemente eu tenho poder
em tudo aquilo que não faz sentido
em tudo tudo aquilo que não tem nexo
São como pedaços de sonhos
que você tenta juntar
através de uma noite e outra
mas eles se movem na sua inconsciência
onde você não consegue toca-los
te despertando uma doentia demência
onde os monstros se tornam reais
onde se perde o sinal a minha consciência
onde meus sonhos se tornam surreais
eu fico preso dentro da minha mente
em um subconsciente
cheio de imaginações viscerais
Então vou tentando me equilibrar com as pontas dos meus pés
em cada linha do meu raciocínio
eu não posso mais cair
lá em baixo é perigoso
é como cair em larva de furacão
está repleta de parasitas que querem me comer vivo
lá em baixo está a minha mente
cheia de ideias e de confusão
o mental se transforma em um hospício
onde está toda a minha ilusão
e então eu percebo que eu vivo no limite
vivo em linhas tortas na beira de um precipício
onde eu posso cair a qualquer instante num rio de larvas
cheio de tubarões e escuridão
E então eu percebo que aqui dentro de mim mesmo
é onde toca todas as trombetas do meu juízo final
é onde eu sei
é onde eu sinto
onde está o meu bem e o meu mal
eu vivo dentro de mim mesmo
num profundo e obscuro abismo.
Então eu lhes digo, como aquele velho ditado
"Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você"
Então não me encarem
Eu vou sugar vocês
A não ser que vocês querem serem sugados pelo meu amor
Repletos de bons momentos impregnado pelo desejo do infinito
Me amem, sentem a minha dor
Caem dentro de mim
Caem no abismo.

2 de janeiro de 2015

Dominante

Aparentemente eu estava feliz
Tocando violão em uma noite fria com uns amigos, em volta de uma fogueira
Sorrisos estavam sendo refletidos no escuro da mata
Tocando nossas cabeças em volta de minha doideira
As risadas e nossas conversas
Estava soando como melodia no silêncio da madrugada
Mas tudo que é bom, dura-se pouco
E o coração disparou
Era a ansiedade extrema que me vigiava
Eu percebi
Meus desejos obscuros agora finalmente voltou
Ela, a ansiedade, ficava à paisana atrás das grandes árvores
Árvores que dançavam com a ventania
Enquanto o medo me perseguia como um caçador que mata
Mas eu sabia, eu sentia.
A ilusão que ali que aos poucos crescia
Os céus formaram nuvens escurecendo a lua que brilhava
Eu pude perceber então
Que eu estava novamente dentro de mim mesmo
Dentro da minha mente sombria
Dentro da minha canção
Então eu tocava minha sangrenta serenata
E novamente a necessidade do poder e controle
Me conduzia
Meus amigos já não eram mais meus amigos
Seus rostos estavam desconhecidos
Monstros imaginários invadindo meu plano físico
Se tornando presente no tempo que se passava em forma de delírio
Os seus rostos se tornaram deformados
O que antes estava cheio de vida
Estavam todos irreconhecíveis e mutilados
Eu já mais não sabia, eu já mais não sentia
A morte chegou e se tornou o principal convidado
A escuridão tornou-se protagonista
Em uma noite teatral do meu eu dominante
Dominante que o chamo de parasita
Um alter ego tomava meu lugar naquele instante
E enfim estava posta a frente a minha mente assassina
Cheia de delírios e confusão
Onde o inconsciente me distorcia
Em cada pensamento, e em cada ação
Era sonho e ao mesmo tempo real
Era verdade e ao mesmo tempo mentira
Era belo e ao mesmo tempo sangrento e visceral
Era realidade e ao mesmo tempo fantasia
"E então eu fugi para os braços do meu amor e ela me dizia: -
Aonde você estava? você entrou naquela mata, e desapareceu por anos -
E então eu percebi a conspiração do tempo
Que pra ela foram anos, pra mim tinham sido apenas horas, minutos
Ela me dizia:  -Eu me casei e tive uma filha-
E meu coração se partia
E ela gentilmente me levou para conhece-los
Ela no caminho, constantemente me dizia
"Meu marido é um homem de mau coração, eu não o amo"
Entrando na casa, ela me apontou o homem
Que estava em um cadeira velha, de costas para a porta que então eu entrava
Fui até ele, e o toquei, ele me olhou e disse:
-Eu estava esperando você por tanto tempo-
E pegou firme em minhas mãos
Olhei pra ele, e percebi que o tempo pode realmente distorcer as coisas
Destruindo os momentos de compaixão
Me vi sentado naquela cadeira
Era eu mesmo encarando a mim mesmo
Era o meu eu dominante
Eu estava mais velho
Cheio de rugas e com os cabelos grisalhos
Mas ainda com aquele mesmo olhar
Cheio de segredos supostamente sádicos
Meu alter ego então tomou conta
E então eu percebi que eu nunca estive ali
Eu não existia
Eu tinha matado todos meus amigos
Eu tinha destruído tudo que eu amava
Por uma força destrutiva
Além de qualquer coisa que eu podia controlar
Então eu descobri, que eu podia controlar tudo
Menos eu mesmo
Me olhei no espelho
E enfim, eu desapareci
Minha imagem jovem se esvaneceu no tempo
Como fumaça que desaparece no ar
Como uma leve brisa
E quando ela voltou
Ela voltou com a filha em seus braços
A nossa filha
E olhou para mim de maneira sádica e fria
E disse - Amor pegue sua filha-
E quando a peguei
Ela estava como meus amigos naquela noite
Estava deformada, uma imagem monstruosa
Maquiada com respingos de sangue
Uma aparência completamente distorcida
Mas mesmo assim, eu as abracei forte
Já velho, mesmo fora de mim
Reencontrei a minha consciência
E pude finalmente sentir o amor
Tinha sabor amargo, de doce e doença
Mentalmente com vestígios de feridas
Repletas de dor
Mas eu estava feliz
Eu estava com as duas pessoas mais queridas
Sendo real
Ou apenas sendo fantasias
Elas estavam ali
Elas sorriam
E os risos delas me refletia
Num espelho imaginário
Cheio de esperança e vida.

31 de dezembro de 2014

Quem diria?

Quem diria que eu ia chegar nesse dia dizendo: Quem diria?
nessa minha vida
de indas e vindas
que sempre suspeitei
das minhas expectativas
nesse intenso sentir
que o meu eu respira
nesse intenso mundo meu
repleto de ventanias
cheio de ruídos
medos
tristeza e alegrias
cheio de névoas nos pensamentos
de distúrbios
e de provável mente assassina
e com uma boa imaginação que ainda me inspira
neste último dia do ano
que ao mesmo tempo obscurece
e que ao mesmo tempo brilha
está de manhã
e está tudo calmo
sem angústia
nem melancolia
enfim; quem diria?
ninguém
talvez somente o destino me mostraria
que eu sou capaz de me vencer mil vezes
e ainda permanecer de pé na minha própria ruína
e enfim mais um dia finda
e aqui estou
escrevendo mais uma poesia.

"Antes era tempestade, tornou-se uma forte chuva, e agora é somente uma garoa com pequenos ruídos de ventos distantes. Tudo se tornou uma melodia perfeitamente combinada com a minha alma sombria. Mas amanhã torço que o dia esteja apenas nublado, até o cinza virar sol que intensamente brilha"

29 de dezembro de 2014

Há um ano.

Há um ano atrás eu estava em uma cama de hospital
Estava sedado e cheio de eletrodos
Eu estava em delírio físico e mental
Eu estava sozinho e ao mesmo tempo com todos
O coração às vezes acelerava
Uma luz, na escuridão dos meu olhos, surgia
Meu coração quase parava
Então percebi o destino em que eu mesmo me condenaria
Meus nervos atrofiavam
A ansiedade apenas me afastava do meu consciente
Deixando as minhas visões com terríveis imagens sombrias
A realidade já não estava mais ali presente
Há um ano atrás eu estava em uma cama de hospital
Inalando todas as minhas ilusões
Sendo medicado pelo meu próprios pecados
Sendo sedado pelas minhas próprias confusões
Não haviam sorrisos
Só medo
Não haviam corações
Só desespero
Não haviam bons espíritos
Somente portas em um labirinto eterno
Que cada uma delas apontava um universo
Repletas de escuridões
Foi quando eu imaginei
Que tudo que eu imaginava
Estava saindo plano da imaginação
Se tornando realidade física
Em forma de confusão
O universo estava em colapso
E o mundo girou através de meus atos
Me apresentando então minhas consequências
Dentro da minha própria teoria do caos
Mas há um ano atrás eu conheci
Que aqui ou lá, e ali
Só existia duas energias importantes na minha vida
Algo que me fez nascer nesse mundo
Que faz até hoje fluir o meu sangue
Que faz o meu sangue ser capaz de bombear o meu coração
Que me mantém vivo
Longe da desilusão
Que me mantém longe da frieza e do meu lado sombrio
Eu ganhei mais um ano de vida
E nesse tempo
Entre indas e vindas
Tive minhas noites dominadas pelo o mesmo pecado
Mas fui mais forte do que fraco
Mesmo saboreando o gosto doce amargo
De cair nas horas
Nos ponteiros do passado
Mesmo tendo a mente dominadas por lapsos
Eu consegui por mais um ano
Manter meu o mundo a salvo
Consegui lutar contra meu maior inimigo
Eu mesmo
Mantendo meu mundo longe de outros
Evitando o total destruidor colapso
Eu me mantive vivo
E todos que estiveram ao meu lado.

A sensação de uma overdose
É como viajar no espaço em cima de um asteroide 
Sem saber para onde ele vai te levar
Se é de volta para a vida
Ou para a morte.




28 de dezembro de 2014

Oposto complementar

A agressividade se veste com um belo vestido vermelho.
E usa ossos quebrados como brincos brilhantes. 
Usa lingerie num tom elegantemente visceral. 
Bebe vinho tinto.
Vinho que é retirado direto da fonte de nossas cabeças estouradas.
Que sempre está cheia de pensamentos perigosos. 
Tornando muitas vezes a violência em algo muito belo e sedutor. 
Pois para conquistar o amor, temos que batalhar.
Lutar. Brigar. Sangrar .
É uma guerra entre e amor e o ódio. 
É a atração fatal dos opostos complementares.

12 de dezembro de 2014

Somos.

Somos pessoas que se alimentam umas das outras através de nossos próprios egos. Confundimos obsessão com amor, e amor com ilusão. Estamos no final de todas os tempos, e quanto mais o tempo passa, mais perdemos nosso intelecto. Estamos criando vários padrões de beleza e várias opções de status, um ideal engole o outro, e vomitamos as nossas ideologias com defeitos e hipocrisias. O erro é humano, quanto mais erramos, menos aprendemos, pois sempre estamos cometendo os mesmos erros, é da natureza humana errar do começo ao fim, até morrermos. Ninguém nasce perfeito. E ninguém também morre perfeito. Temos a ilusão que quando caímos, aprendemos a nos levantar e seguir em frente, a ilusão é tão perfeita que na realidade, nunca saímos do mesmo lugar, estacionamos na evolução. E ainda temos a arrogância de acreditar que nos tornamos pessoas melhores. Ou que somos, ou que iremos um dia ainda ser, ou nos tornar. Mas a verdade é que a ilusão se tornou mais real do que nunca. E nunca perceberemos.

Criamos maneiras de nos vitimizar, atuamos como vitimas em nosso próprios filmes de terror. Nós mesmos criamos o nosso pesadelo. Nós mesmos criamos nossos próprios anjos e demônios. O ser humano se engana desde o começo dos tempos, alguns creem em um deus, mas a verdade é que desde o inicio estamos sendo testados por nós mesmos, estamos sozinhos e solitários. É um costume das pessoas criar amigos imaginários para se sentirem confortáveis dentro da própria realidade, acreditar em uma mentira perfeitamente bem criada para nos afastar da verdade, como uma droga alucinógena que nos leva à lugares incríveis, estamos viajando pelo espaço sideral, estamos longe do nosso mundo real, acreditamos em tolices, e deixamos de perceber que o nosso mundo está acabando aos poucos, sendo destruído pela própria mão humana. Mas a humanidade acredita na filantropia, e esquece que todo mundo ajuda um ao outro por interesses próprios. O narcisismo, a vaidade, nos refletem. Afinal fomos feito a imagem de Deus. Nos sentimos como se fossemos deuses. Sempre em busca do poder. Do controle. Do derramamento de sangue. Da guerra e destruição. Desde um fruto saudável até que as nossas mentes ficam repletas de podridão. Cheia de vermes, pus e carnegão. Ninguém percebe a misantropia que nos domina. Somos o sangue do nosso próprio assassinato. Ninguém percebe a carnificina.

Nos tempos antigos, o homem vivia por novecentos anos ou mais, hoje mal passamos dos sessenta. Estamos fracos e exaustos, estamos em extinção. E finalmente hoje eu entendo, que se mesmo, eu encontrasse uma verdade universal do amor, eu nunca poderia estar verdadeiramente satisfeito neste mundo. Que a morte vem pra cada um. Que nenhum humano é simplesmente bom ou mau. Que sozinho eu sou o mestre do meu destino, que nós mesmos criamos o sentido de nossas próprias vidas. Que cada um tem suas próprias crenças, e que ninguém é infalivelmente correto.
O mundo animal não é na floresta, é aqui na selva de pedra.
Somos os verdadeiros animais
Animais é o que nós somos.

"Eu sou um misantropo que levou o ódio aos céus"

11 de dezembro de 2014

Antes de dormir.

Antes de dormir eu passei horas conversando com a insônia. Ela me disse pra eu sempre manter os olhos bem abertos, que o mundo tá repleto de morte em todos os cantos, disse que a morte ficava escondida nos ponteiros dos relógios, que a qualquer hora, minuto ou segundo, podia chegar a minha hora. Então eu gentilmente pedi a ela que ficasse acordada vigiando a porta enquanto eu dormia. Então adormeci. E sonhei que a insônia abriu a porta do meu quarto, e saía lentamente andando, quase que flutuando. e ficava parada em frente ao meu espelho. E eu a seguia sem que ela percebesse. Então quando eu ia toca-la, ela desaparecia. E restava somente eu me olhando no espelho. O espelho me encarava com os olhos bem abertos, enquanto eu tentava fechar os meus.

3 de dezembro de 2014

Habito

Eu não sou o mais o mesmo
Nunca fui o mesmo desde sempre
Habito em uma ruptura da realidade que constantemente dança meus delírios
Habito em uma fantasia onde ela está em constante inconstância
Trilho encruzilhadas
Beijando as beiras das loucuras
Vago bêbado de conhaque
Chorando por amores sombrios
Me tornei um poeta
Alguém que olham e me vejam como louco
Me tornei um escritor barato largado na sarjeta
Que aqui agora escreve angústias
Que aqui agora está numa vasta imensidão
Eu me sabotei para não sentir mais nada
Agora me tornei um colecionador de crises
Para pelo menos sentir alguma emoção
Mesmo que ela me corte de dentro pra fora
Mesmo que ela me engula e me cuspa
Eu morro todos os dias e ressuscito todas as noites
Mal eu sabia, que aqui no nada
Aqui nem eu estou
Está somente um fantasma da minha imaginação
Agora é como se eu tivesse um eco eterno gritando dentro de mim
Em um constante vácuo
Eu estou vazio, e não consigo mais completar o que eu tirei de mim mesmo
O coração
Nada mais me completa
Incompletamente perfeito
O amor ficou completamente cego aonde eu me encontrei
Aqui nessa escuridão
Habito dentro de mim mesmo
Onde nem eu mesmo eu estou
Me perdi de mim, minha alma se foi
Congelou-se no inverno que eu mesmo criei
Habito dentro de mim
Num corpo sem vida
Sem alma
Habito na pele viva
Que empalidece aos poucos
Habito na escala mais alta da montanha que não tem fim
Vago sem destino
Sem rumo
Sem direção
Agora estou aqui misturando as palavras de forma complexa
Para ilustrar o complexo em que me encontrei
Para ilustrar o estado da minha mente cheia de desilusão
O espelho me olha e eu não vejo nada
Eu olho o espelho e ele não me encara de volta
E percebo então,
Que algo também habitou em mim
A depressão.

1 de dezembro de 2014

Mentiras

Se lhe contam mentiras
Não se desloquem
Peguem as palavras e as destroem
Apertem o pescoço bem forte
Eventualmente a sufoquem

Se lhe contam mentiras
Não recuem
Peguem as palavras e as arranque pela mandíbula
Olho bem no fundo dos olhos do enganador
Eventualmente arranque a tua língua

Se lhe contam mentiras
Não acreditem
Distorçam as palavras e aperte bem forte a veia jugular
Sinta o prazer do poder e do controle
Eventualmente rompendo as veias até o sangue espirrar

Se lhe contam mentiras
Não as engula como doces
Sinta o amargo da verdade e aceite e admire a veia carótida romper
Sinta o prazer do controle e do poder
Eventualmente entorpecendo as tuas dores

Se lhe contam mentiras
Extraia as palavras enganosas através dos dentes
De forma lenta de devagar
Dance como se fosse música 
Quando o traidor gritar
Eventualmente compondo uma verdade obscura

Se lhe contam mentiras
Bem se lhe contam mentiras
Não se iludam
Mate-as antes que elas te matem
Não se desiludem
Não se ressentem 
Eventualmente você irá se libertar de todos aqueles 
Que mentem.