6 de junho de 2014

Vermelho

O vermelho é a cor da paixão. 
Assim como também é a cor do teu sangue 
na parede, 
no chão.
No relógio,
no tempo,
no teto, 
no criado mudo,
nos travesseiros,
e no colchão.

O vermelho é a cor da paixão. 
Assim como também é a cor do teu sangue,
nos lençóis,
na cama,
e em minha mãos.
Na escrivaninha,
no abajur,
no teu perfume...
que impregnou na escuridão.
E em nas nossas fotografias,
nas nossas lembranças,
manchadas pela nossa destruição.

O vermelho era a cor da paixão.
Mas como poderíamos saber?
Que isso nos levaria a loucura e a obsessão?
O único verdadeiro amor permanece pra sempre.
E hoje eu te mostrei a evidência que comprova minha conspiração.
Mesma estando manchada de sangue.
Mesma a escrita demonstrando verdades e contradição.
Não deixei você partir por aquela porta.
Não deixei que nossos beijos afiados por paixão...
Desaparecesse nas promessas que não cumprimos.
Não deixei que tudo fosse em vão.

O vermelho era a cor da paixão.
E agora eu te abraço intensamente.
Sobre o brilho da minha lâmina
Corpo a corpo, peito a peito.
Respiração com respiração.
Nos libertando da dor eventualmente.
Sobre o obscuro do céu sem luar.
Prendendo a sua alma em meu coração.
Deixando todo o sangue jorrar.
Deixando que nossas almas flutuam no infinito
Num eixo de tempo sem direção.
Agora somos a luz que ilumina o sombrio.
Entrelaçados em alguma paz de outra dimensão.

O vermelho era a cor da nossa paixão.

26 de maio de 2014

Estar

Caminhe comigo pelas tempestades sem relâmpagos.
Caminhe comigo sobre os quatros climas do ano.
Caminhe comigo pelo verão sem sol.
Caminhe comigo na primavera, no inverno, no outono.
Apenas esteja, fique.
Caminhe comigo onde o silêncio ecoa no eterno.
Caminhe comigo sobre os muros caídos de Berlin.
Caminhe comigo sobre as ruínas, sobre as brasas do inferno.
Caminhe comigo nesse longo caminho sem fim.
Apenas esteja, fique.
Caminhe comigo sobre o destino.
Caminhe comigo enquanto o mundo da voltas.
Caminhe comigo sobre a florestas do vale perdido.
Caminhe comigo sobre nossas indas e vindas, nas nossas reviravoltas.
Apenas esteja, fique.
Caminhe comigo em universos paralelos.
Caminhe comigo em museus com antiguidades inexistentes.
Caminhe comigo entre os horrores e os belos.
Caminhe comigo sobre as três dimensões existentes.
Apenas esteja, fique.
Caminhe comigo nos meus sonhos, nos meus pesadelos.
Caminhe comigo sobre a coragem.
Caminhe comigo sobre o medo.
Caminhe comigo no caos da tempestade.
Apenas esteja, fique.
Apenas esteja comigo como se nunca estivesse estado antes. Esteja aqui.
Esteja sempre aqui ou criarei especiais verbos escritos.
Explicando cada detalhe numa lâmina em versos sombrios.
Apenas esteja, do verbo estar, ou criarei maravilhosos verbos como lhe matar.

21 de maio de 2014

Drogas

O amor pode ser um analgésico que nos priva da dor
O amor pode ser um antidepressivo que nos faz sorrir quando estamos tristes
O amor pode ser um antipsicótico que nos priva das loucuras que ele nos leva a fazer
O amor poder ser um ansiolítico que nos fazem adormecer em paz destruindo aqueles pensamentos que não nos deixam dormir.
O amor pode ser tudo isso.
Mas ele não pode ser uma única coisa: Pra sempre.
Pois como eu metaforicamente escrevi, quase que literalmente
O Amor é uma droga.

16 de maio de 2014

O Trato

Cacos de vidro no chão
seu perfume impregnado na minha escuridão
és como uma lâmina sua língua
manchas de sangue no colchão
nervos a flor da carne viva
garrafas de vodcas cheias de ilusão
uma noite especialmente sombria
onde a frio da noite especifica a frieza no nosso coração
fizemos um trato como aqueles que se faz com o demônio
deixando nossas mentes expostas ao frio de outono
protegendo nossos egos de um suposto futuro furacão
é belo e ao mesmo tempo violento
tudo num acorde que toca suavemente bem lento
criando uma maravilha dentro do nosso próprio terror e assombração
mesmo que as vezes nossas palavras ecoam no silêncio
batidas fortes dos nossos corações criam uma emoção
as vezes fogo as vezes explosão
linhas sinuosas entre a fúria do nosso nascimento
na noite que se encontramos na nossa condenação
buscando aquilo que nos traz mais euforia
mas ao mesmo tempo um maravilhoso sofrimento
a noite não deveria acabar
deveria continuar
a e música no carro poderia eternamente durar
mas passa-se sempre o tempo
fazendo nos cair em profundo sono
acordando com aquela boca seca
num clima aparentemente satânico
onde não há mais bebida e nem beleza
em nossos quartos, sozinhos com nós mesmos
se revirando em nossos lençóis
como se estivéssemos se afogando em um oceano
e em nossas mãos uma insensível tremedeira
mas a ironia de tudo isso, é que isso me completa
o teu mau completa meu bem e o meu mau completa o seu
os relógios tocam o alerta
o tempo não para
é só olhar para a lua e já sente-se a vontade de voar
exatamente por isso devemos continuar
vendemos as nossas almas a nós mesmos
temos que continuar a matar.




29 de março de 2014

Matadouro

Errando com os errantes
Aprendendo com os erros
Ganhando sabedoria com o aprendizado
E com a aprendizado tornado-se sábio
Sendo sábio intensifica-se a inteligência
E com inteligência se obtém mais sabedoria
Com sabedoria vejo-me calculista
Sendo calculista você conquista o controle
E com o controle você obtém o poder.
Jogando com os jogadores
Usando as pessoas que usam as pessoas
Mentindo para os mentirosos
Observando os observadores
Incendiando os incêndios
Impulsando a impulsividade
E dissecando os dissecadores
Assassinando os assassinos de aluguel
Matando os matadores
Devorando os canibais
Destruindo as própria ruínas
Enforcando os carrascos
Executando os executadores
Julgando os juízes
E mutilando os mutiladores
Escurecendo a escuridão
Obscurecendo o tom obscuro
E manipulando os manipuladores
Criando mundos no mundo
Iludindo os que iludem
E controlando os controladores
São verdades que dizem mentiras
E mentiras que dizem verdades
O universo é um como paraíso
e a Terra o fruto podre.

A vida é um matadouro e é extremamente difícil  encontrar o amor.






26 de março de 2014

Ansiolítico

Há dias me sinto dopado
Leve-me, leve a minha mente levemente
Cada partícula de mim
Cada músculo maravilhosamente relaxado
Estou em paz
Mesmo que o mundo em volta de mim
Esteja todo desvairado
O tempo está passando
E logo os minutos estarão esgotados
São 4 horas da manhã
Será que estou realmente acordado?
Leve-me, leve a minha mente levemente
Cada artéria, cada batimento cardíaco
Eu não sinto mais nada
Todo meu corpo está levemente entorpecido
Estou distante
E ninguém que esteve aqui antes eram reais
Eram pessoas vazias e sem sentido
O mundo parece ter destruído com o caos
Com o próprio caos
Isso é tão belo e bonito
pois...“É preciso destruir tudo, até mesmo as ruínas” 
Não há mais o inquietante coração
Foi-se aquele anticlímax bizarro e intencional
Não há mais chamas que brilham na escuridão
Agora o sono domina qualquer pertubação mental
Em poucos minutos, estarei sonhando
Apagarei as luzes e estarei..
Longe desse mundo irreal.

10 de março de 2014

Simplesmente

Noites onde a cidade nos engole como vinho tinto.
Nos fazendo se perder em nossos próprios becos escuros. 

É simples; e simplesmente cansei

Sorrisos sem risos
Risos sem sorrisos

Olhos sem expressão
Expressões sem boa impressão 

Dias com uma maravilhosa luz
Mas que ofusca no horizonte
da escuridão.

Amores de uma noite só
Sexo sem amor
Amor sem nexo
E nexos sem nexo algum
Apenas orgasmos
Sujo e fantasioso
Olhares apaixonantes 
Mas ocultamente
um ato malicioso

Meu coração transborda amor
Mas não há ninguém que o afogue junto comigo
A manhã seguinte é sempre o adeus                  

É simples; e simplesmente cansei.

Ninguém permanece
Nem mesmo a vida
Eu sei
O pra sempre, sempre acaba, mas e o que acaba, acaba pra sempre?

Não desejo beber da solidão até o dia da minha morte
Eu aceito que um dia meu coração irá para de bater
Mas quando ele estiver prestes a parar
Eu quero que algo esteja lá
Mesmo que seja um fantasma
Transparecendo alguma verdade

É simples; e simplesmente cansei.

E enquanto isso, no meio de tantos devaneios
Notei que tempos andam se perdendo nos tempos
Então procurei criar meus próprios ponteiros
Meu próprio relógio que pulsa no meu pulso
Dando o impulso para eles girarem criando um sonho
Que quando eu estiver no meu leito da morte
Alguém entre no quarto e esteja lá apenas
Pra eu simplesmente poder dizer:
-Obrigado pela companhia.


6 de março de 2014

"Sujos" a tinto


Trajes sujos de vinho.
Corações infestados de vermelho tinto.
Que rubra o tom vermelho.
Vermelho que harmoniza a paixão.
Paixão que estrangula os desejos.
Desejos que conflitam o nosso organismo
E beijos alcoólicos que organizam o nosso orgasmo. 



Eu gostei de você.

"A tempestade levou o nosso coração"

1 de março de 2014

Acatisia

No começo a intensidade criou uma síndrome em nossos olhares.
Eu premeditei seus passos para que você pudesse seguir junto aos meus.
Mas eu o meu vício em controle acabou saindo fora de controle.
A tua hiperatividade se hiperativou com a minha.
Criando belos impulsos de sexo e loucura.
Deixando assim nossos corações inquietos.

Ah a ansiedade de amar, e ser amado.
A inquietude da alma não para.
E o tempo corre na velocidade da luz.
Mas nossos egos deixou tudo tão escuro

Nossos corpos parecem estarem querendo voar.
Mas o nosso tormento é não estar em movimento.
Estamos presos dentro de nós mesmos.
Enquanto o paraíso não chega.
Estamos sentados no inferno.
Presos com as correntes do nosso orgulho.

Observando o fogo em volta.
Toda aquela paixão querendo explodir.
Mas o gelo insiste em nos paralisar.
Congelando tudo que há dentro de nossos corações

Mas os sintomas são reais.
Esse desassossego que faz as nossas tripas quererem saírem para fora.
O senso ilusório de alguma luz.
Nos fazendo vagar em círculos nesse túnel escuro da vida.

E o nosso desejo de estar juntos.
Se manisfesta em forma de terror.
Nossas mandíbulas ficam descontroladas.
Fazendo nossas palavras parecerem um quebra cabeça indecifrável.

Se afastamos na distância
E a dor palpita.
Tua coluna vertebral endurece.
Cessando todo o movimento do seu coração.
O frio em nossas espinhas ilustra a nossa frieza.
O oposto do oposto nos opõe nessa oposição

Essa estranha incapacidade de mover o nosso amor.
Criou um conflitos em meus nervos.
Meu coração está me contorcendo.
Eu preciso de você.

Obs: Postagem publicada de número 100 do blog

9 de fevereiro de 2014

Ansiedade

E nesse tempo sem temporal, algo queima o meu corpo
desde o sombrio até o colorido astral
nesse suor quente, que as vezes é frio e as vezes é morno
acordo de uma fantasia surreal
perdido no tempo que se perdeu com o sono
sem emoções, 
sem calor humano
somente o frio
na boca do estômago
somente o escasso e o mau
horas invertidas
a noite rubra o irreal
cheia de sangue e vísceras
anseia-se a ansiedade
e a ansiedade anseia a insanidade
e dentro de mim chove um temporal

A palpitação traz o alerta

o desconhecido grita 
e o medo se manisfesta
não se sabe do quê, e nem da onde vem
mas qualquer perigo me convêm
o corpo entra em descompasso
os músculos ficam fora do ritmo elétrico
o frio na espinha venta como inverno
meu coração sugere o meu próprio assassinato
eu morro por alguns minutos
espancado pelos próprios batimentos acelerados
e quando volto
sinto que não estou mais acordado
uma realidade como se não fosse a minha
tudo parece embaçado
num tom distante com cores sombrias
os tremores dançam nas minhas mãos
e a angústia canta a canção
fazendo do meu corpo o teu palco de teatro
me usando como protagonista
nesse número visceral
onde a ansiedade tem o papel principal
e tudo desaba
"Tudo se torna um caos".