17 de agosto de 2013

Deprê

Meu coração bate lentamente,
e cada som de suas batidas se misturam com os ruídos do vento que bate na janela.
Vento que assopra as cortinas,
fazendo elas parecerem um furacão querendo derrubar o teto da casa.
Enquanto eu trago esse ultimo cigarro,
deixo meus pensamentos voarem no ritmo da fumaça sobre o ar.
E então percebo que o vazio que eu tinha dentro de mim, saiu para fora.
Agora ele está infestando em meus olhos.
Se você poder me olhar aqui agora,
você vai poder perceber também que eu simplesmente não estou ali.
Pra qualquer lado que eu olhe, eu apenas vejo o meu próprio reflexo.
Algo transparente, como um fantasma.
Agora vago nessa casa vazia.
Pra lá e pra cá.
Procurando uma saída.
E mesmo que seja aqui nesse instante.
Mesmo sendo o agora.
Mesmo sendo o presente.
Tudo parece estar tão velho.
Minhas lembranças estão empoeiradas,
criando teias de aranha junto com a mobília antiga.
Todas as almas desapareceram,
há somente eu aqui,
dentro de mim mesmo.
Sendo assombrado pela a minha a própria alma.
Mas talvez seja apenas uma deprê.
Logo passa.
Como o vento.

28 de julho de 2013

Que

O que te feriu?
Que lâmina lhe cortou?
Que mágoa lhe ressentiu?
Será que foi a minha língua afiada?
Pensamentos opostos que forjamos 
Paranoias que martelamos
Blocos de ferro que juntos carregamos
Nos desequilibrando
Ambos somos um peso nas costas.
Que bicho nos mordeu?
Que corrente poderia nos prender?
Que cordas poderia nos amarrar?
Quais algemas poderia nos condenar?
Que minhocas temos em nossas cabeças?
Você me trouxe aqui, nessa obsessão.
E agora você está do outro lado da sala
Tomando o seu café que nem mesmo esquentou
Que inverno nos esfriou?
Que frio se tornou o nosso coração?
Logo o vento também chega nos levando para longe.
Que mordaça poderia calar a nossa paixão?
Talvez seja a rotina.
Não sei.
Talvez seja o tempo parando
Talvez seja o universo nos transformando
Talvez seja a vida nos dando uma lição.
Que vida?
Que vida nos daria somente ilusão?


21 de julho de 2013

Fenda no tempo

Sonhávamos alto demais.
Voamos alto como dois passageiros em um céu distante.
As palavras e as promessas eram incertas.
Eram obscurecidas como uma noite sem estrelas.
Nossos corpos juntos, tinham o sabor do desconhecido.
Éramos como uma planeta ainda não descoberto.
Mas semelhante à Vênus.
Tanto quanto pelo amor, tanto quanto pela paixão.
Era tudo tão misterioso, tão excitante.
Estávamos distante de tudo e todos.
Mas estávamos seguros, estávamos salvos.
Formávamos a nossa própria constelação.
Estávamos flutuando em nosso próprio universo.
Naquele momento do tempo, pelo menos era isso o que mais importava.
Mas mal sabíamos que sonhar alto demais poderia nos elevar à uma altura que poderia nos fazer perder o controle e a noção.
Teríamos que passar por uma forte turbulência de emoções.
E agora seria difícil colocar novamente os pés no chão.
Mas os beijos e os toques eram tão suaves e calmos.
Como poderíamos saber que a noite e o seu calor,  poderia se tornar uma manhã fria cheia de desilusão?
Se tivéssemos pensado nos contratempos, não teríamos perdido tanto do nosso tempo.
Nosso amor se perdeu no espaço, e se colidiu em uma fenda no tempo.
Aterrissamos em um lugar vazio e tudo se tornou um mero passado.
Estamos em um lugar que costumávamos sempre estar, mas agora não há ninguém aqui.
Nem eu, nem você.
Apenas pequenas lembranças insignificantes.
Lembranças que logo serão devoradas por criaturas que o tempo trás e as apaga.
Restando apenas um buraco negro em nossos corações.

17 de julho de 2013

Através

Me de um pouco de sua percepção, e me deixe ver através de você.
Queria que fosse possível ver o mundo através de teus olhos.
Queria poder descobrir as tuas maneiras de ver as coisas.
Será que as manhãs seriam mais claras?
Ou será que as noites seriam mais escuras?
Certamente, que quando eu me olhasse no espelho, eu enxergaria uma outra pessoa.
Será que seria uma pessoa melhor?
Será que você tenta me ver com você no futuro?
Ou será que você tenta me encontrar no passado?
Queria estar dentro da sua pele,
para eu poder ver como você me encara de verdade, sem nenhum vestígio de engano.
Se eu pudesse ser você por pelo menos alguns minutos.
Será que o sabor do nosso beijo seria mais amargo, ou seria mais doce?
Será que o nosso abraço ainda seria bem apertado?
Será que você vê as coisas da mesma maneira que eu vejo?
Será que a forma que você me vê, é da mesma forma como me sinto?
Queria ver através de você e achar uma percepção que se encaixasse com as minhas,  para que pudéssemos ver o mundo como o -nosso- mundo.
Será que isso em alguma realidade mesmo que paralela poderia ser possível?
Não sei.
Talvez eu esteja apenas criando duvidas insanas.
Talvez é o meu coração que deve estar cheio de minhocas na cabeça.


27 de junho de 2013

Sexo

Há um conflito contínuo quando nossos corpos se tocam. 
Um conflito com pequenos movimentos inconstantes,
criando uma intensidade estável.
A imaginação queima o cenário real incendiando o quarto. 
E antes que possamos abrir os nossos olhos,
nossos nervos se contorcem nos aprisionando na noite.
E mesmo que amanheça, eu poderia dizer tudo o que eu sinto,
e mesmo que eu diga tudo o que eu sinto por você,
eu poderia pedir pra você ficar também durante os dias.
Mas antes que eu possa permitir que você se machuque,
eu posso apenas me despedir com um beijo,
e manter as nossas emoções apenas debaixo dos lençóis. 
Emoções que escorrem na pele,
emoções que escorrem em forma de suor,
emoções que deixam os nossos ritmos cardíacos altos.
Pois não existe emoção mais intensa do que o orgasmo.
E antes que possamos ir além.
Antes que o amor queime toda a casa, 
destruindo toda a estrutura do nosso raciocínio.
Nós poderíamos apenas voltar para a realidade,
e manter nossos pés firmes no chão.
Antes que possamos ficar insanos,
poderíamos apenas gozar, 
se virar nos lençóis, 
e se abraçarmos nos sonhos.
Vai ser apenas sexo.
Mesmo que os outros achem isso uma desilusão.
Seríamos desiludidos satisfeitos,
preenchidos de prazer e paixão.
Você vai poder sempre voltar nas noites seguintes,
Pois não haverá sentimento algum que vai afastar você de mim.



24 de junho de 2013

Porre

Impulsos, explosões no tempo,
tudo de repente, tudo ao acaso.
Neste momento, aqui agora.
Ondas de tempestade na corrente sanguínea.
Em cada minuto,
em cada segundo,
as horas aumentam a euforia.
A ansiedade controla o caos e o domina.
Palavras impensadas,
palavras não ditas,
e palavras nunca antes ditas.
Agora você sabe,
o que eu pensava,
o que eu escondia.
Em apenas em um fim de semana,
em apenas uma noite,
em uma apenas garrafa de bebida.
Meus sentimentos por você ficaram com um teor alcoólico alto,
me fazem sentir mal toda vez que eu os ~sinto~,
hoje é apenas algo abstrato,
perco a consciência,
perco a noção da realidade,
em cada gole no gargalho.
E aos poucos tudo vai perdendo o seu sentido.

Você tem sido meu grande porre.



28 de maio de 2013

Euforia

Você tem sido um estimulante 
Transmitindo prazer sexual para cada célula do meu corpo.
Através dos neurotransmissores da paixão.
Eu poderia dar seu nome para algum dos meus neurônios.
Porque de fato você tem sido a maior responsável pelos meus impulsos nervosos.
Nossas sinapses se comunicam pelo toque e sedução.
Arrepiando a pele.
Aumentando a nossa reação química.
Inibindo qualquer estado de solidão.
Você é muito mais do que um simples -tesão-
É o amor em forma de imaginação viva.
Receptora das minhas fantasias.
Me beijando em um infinito qualquer.
Conduzindo minha corrente sanguínea.
Me venerando em um ego qualquer.
Agindo na minha mente como uma droga psicoativa.
Me abraçando em uma paz qualquer.
Você é a minha euforia.

23 de maio de 2013

O amor que vem e vai

Abri a minha porta e te convidei para entrar. Enquanto você cruzava suas pernas sentada no meu sofá, eu pude perceber a sua inquietude, olhando para o teto velho e rachado. Enquanto você balançava constantemente teus pés e juntava as mãos uma na outra, enquanto você deslizava as tuas mãos em teu cabelo. Notei o que eu realmente pudia causar em você. Eu não sei o que isso me causou certamente, mas a sua ansiedade era bem parecida com a minha. Assim pude perceber que havia algo em comum entre nós. Senti um frio na barriga -o que é irônico- pois era notável o clima quente vindo do teu olhos sobre os meus. O tic tac do relógio corria com as batidas do teu coração, -rápido- e eu pudia sentir de longe, mesmo lá da cozinha, meio distante, meio que me subiu um tesão. Não sabia muito bem o que te oferecer, então lhe servi uma bebida que combinava com a cor do teu batom.
Vinho tinto e boas conversas, estava quente, estava calor, o céu estava nublado, as nuvens estavam vermelhas. A noite estava como a paixão, pronta pra explodir, e os nossos corpos iriam ser como duas bombas relógio, poderia acontecer a qualquer instante. E aconteceu.
Beijos borrados de vermelho, vermelho meio vinho, vermelho meio sangue. Esse cenário meio mórbido, meio sombrio, meio que nos fascinou, nos levou ao desconhecido. Me perdi no teu pensamento em cada toque e movimento. A imaginação estava fugindo de nossas mentes, e invadindo o cenário real. E nossos corpos partiram para uma outra dimensão chamada -Intenso- Pude perceber finalmente, o quão teatral podia ser a paixão. Queima a alma, alimenta o ego, tudo ao mesmo tempo.
Mas quando eu menos esperava, pude perceber que uma noite poderia se tornar semanas, meses, anos. O tempo nos levou com ele e distanciou o presente, fazendo dele mero passado, deixando a nossa melhor noite apenas como uma vaga lembrança. A rotina cada vez nos afastava do nosso primeiro beijo, e no lugar dele o dia-a-dia ia preenchendo com ciúme e obsessão. O -bom dia- e o -boa noite- não eram mais sinceros. Beijos por beijar, sem vontade. O frio na barriga e a ansiedade se mudou do encontro para a despedida. Era o fogo se apagando, era a paixão colocando o real significado da sua palavra; Estava passando.
Poderíamos apenas termos ido embora, e cada um de nós simplesmente poderia ter seguido em frente, mas algo muito forte não nos permitiam seguir adiante, algo nos prendia: Nós mesmos. -Orgulho-  E ao final de tudo, ao invés de irmos embora, ao invés de eu abrir a porta pra você sair e voltar pra casa. Ambos fugimos pela porta dos fundos.
E assim você veio, e assim você foi.
Seu cheiro ficou aqui, se misturou com o cheiro de outras paixões, com as velhas e com as novas, se transformando em um perfume de lembranças, me dando um odor de pura saudade.
Muitos podem até dizer - Não foi amor, foi paixão - mas eu amei as minhas paixões. Elas se transformam em algo ilustrativo e inspirador, como esse texto.
É amor que vem e vai.

29 de abril de 2013

Madrugadas

Em volta de tanta gente,
mas por dentro a solidão,
tocando vários lábios,
em diferentes formas de tesão,
prazer desenhado em formas femininas
beijando o ego inflado,
olhos, toques, mãos.
As noites tem um teor alcoólico alto
cada garrafa uma desilusão,
engolindo tudo pelo gargalo.
E em cada esquina
algumas gramas de felicidade
acelerando os batimentos do coração.
Vagando de bairro em bairro,
seguindo as luzes da cidade,
que ilumina a escuridão
em busca de uma companhia que fique,
que sonhe comigo nessas madrugadas,
que não passe como uma paixão.
Uma nova esperança
um novo sentimento
tão quente quanto ao significado do intenso
e finalmente dizer adeus às fantasias.
Vou acordar com você do meu lado,
e ver que o passado se tornou cinzas.

"e que dure mais tempo que o tempo."


26 de março de 2013

Houve

Houve um dia, um dia que sonhamos,
e tudo que foi planejado, foi-se embora em meio aos dias,
entre tantas sensações, a saudade. Tudo; tornou-se cinza.
Pela fumaça do cigarro a ansiedade voou longe, assim como a brisa.
Tudo foi se tornando uma lembrança, como nossas fotos em fotografias.
Como um desenho, que você cria, que você imagina.
E antes de melhora-lo, você o pinta,
mostra para os outros, como uma obra de arte, você o admira.
E para ter novas ideias, e uma nova forma, você o termina.
E o guarda com outros desenhos, em uma pequena caixinha.
Onde está as saudades, onde está os erros e os acertos.
Juntando pó e teias de aranha junto com os nossos beijos
E o tempo somente vai aperfeiçoando sua ira.
Porque por mais que o tempo passe..
Sem mim, você sempre irá estar sozinha.