7 de fevereiro de 2017

Unidos

Unidos por veias e artérias.
Almas que se entrelaçam pela nossa glândula pineal
Paixões teatrais e cinéfilas
Carne viva e sexo carnal
Beijos, salivas e tragédias
Amor não humano, mas bestial
Vênus em touro e suas fantasias perversas
Amor que consiste no imaginário, real e surreal
Vênus em Leão e suas imaginações maléficas
Para todo o sempre até que seja imortal




Foto arte por-> Rob Domenech

Respirem o amor.

O amor é um belo sorriso no rosto, mesmo que seja retaliado, e os olhos? Bem! Os olhos são a janela da nossa alma. E a alma transmite a espiritualidade do amor, mesmo que seja secreto, aparentemente doentio ou possessivo, debaixo de nossa carcaça conhecida mais como ego, existe um sentimento mais forte que um abalo sísmico, o amor. Respirem o amor, mesmo que seja secretamente. Mesmo que machuque, mesmo que sangre, mesmo que seja debaixo de uma máscara, proteger o que você sente é a maior das cautelas.Talvez o seu inimigo oculto seja você mesmo, onde você se auto destrói deixando sentimentos de orgulho dominar o seu ser, anulando o amor que você quer sentir. Não sentir algo ou bloquear o sentimento que sua alma necessita sentir, é a mesma coisa que se matar aos poucos. Mas amor não é apenas dor, a dor é somente algo necessário para que qualquer relação se purifique e se fortaleça, os laços apenas não se desfazem apenas se vocês apertá-los com força, e às vezes essa força que temos que usar, pode doer, mas é um sacrifício simbólico, pois o amor é somente para aqueles que sabem lidar com a dor. Ah o amor! O amor é uma cena de crime passional nas pior das hipóteses, mas também é uma daquelas cenas clichês de filmes de romance, onde você olha as estrelas com a pessoa que você ama e o tempo para, simplesmente para, é eterno, ah o amor. Apenas olhe em seus olhos e sinta-o.


28 de novembro de 2016

Império

Melodias obscuras
Olhares intimidadores
Máscaras que caem
Almas nuas e cruas
O banquete dos controladores
Peles que se descolam
Não há nada belo
Só a carne e os ossos expostos
Aqui não há mentira
Não há escuridão nos olhos
Só a verdade que é servida
E ela machuca
Ela é maligna
Trouxemos com nós os nossos alter egos
E então dança a nossa megalomania
Os olhares trocados se tornam perversos
Toca alta e intensamente a melodia
Corpos vão se atraindo
Bocas se mordendo
O excesso é serventia
Dentes vão rasgando cada fantasia
Sexo e visceralidade
Luxúrias aos moldes de Calígula
Amor e brutalidade
Cada orgasmo reflete a nossa mente narcisista
Paixão e bestialidade
Cada toque mesmo que seja suave,
Tem uma dosagem alta e doentia
A violência também nos excita
Ela acelera nossas sinapses
Liberando a dopamina
E através da mesma
Ela liberta a nossa Ira
Um pecado, ao orgasmo ele nos guia
E cada nervo atrofia
O nosso corpo, por prazer e dor, ele grita
E o jantar está finalmente posto a mesa
E as nossas carcaças pútridas, são as principais iguarias
E belamente nossas almas flutuam
Fazendo amor em outras dimensões divinas
Cada corpo que eu tocava
Cada alma que eu satisfazia
Era somente para alimentar o meu ego
O poder e o controle eu conduzia
Minha vida era um decadente império.
Por: Bruno Bernardes

8 de novembro de 2016

SADE

Aquele dia, tarde, noite e madrugada em que te encontrei
Em todas as horas que com você o tempo passei
Onde a nossa violência foi imposta
Só que ao invés de ódio
A agressividade foi erótica
O teu pescoço; forte eu apertei
Vi seus olhos implorando por mais força
Então por baixo de sua saia com meu punho
Eu te surrei
Você parecia morta viva ao revirar os olhos
Gemia de prazer
Prestes a gozar eu diminuía a pressão
Anulando o seu orgasmo
Lhe dando mais insanidade e tesão
Beijos selados com mordida
Um pacto com a sedução
E exatamente na hora mais sombria
Aos confins tortuosos ocorreu a penetração
Movimentos ao ritmo da fantasia
Um ato romântico e delicado
Mas ao mesmo tempo aos moldes da brutalidade
Um pacto com o diabo
Luxúria, algemas e bestialidade
Juntos, presos em nosso mundo pervertido
Chicotes, cera de vela, fogo e aromaticidade
Onde o sexo e o amor são as únicas coisas que fazem sentido
Nossos corpos em perfeita sincronicidade
Penetrados em um ato intenso e gentil
Átomos que se ligam em uma perfeita estabilidade
Fazendo nossos corpos ganharem uma carga elétrica impetuosa
Onde os mesmos ganham o poder da animalidade
Nos tornando escravos do prazer em junção com a dor
Onde as linhas que separam as coisas se desenrolam
formando uma tenuidade entre a loucura e o amor
E antes que nossos corpos entram em colapso
Vem o tremor
Uma sensação mais intensa do que um orgasmo
É algo que ainda não se define, apenas definha
Onde eu jorro dentro de você
Com força, brutalidade e amor
E depois eu chupo sua vagina
Onde eu sinto tanto o meu quanto o seu sabor.

Por: Bruno Bernardes






6 de novembro de 2016

O tempo está sem tempo.


Será que realmente temos tempo?
Se temos
Será que não estamos sendo engolidos pelo nosso desatento?
Eu ainda me pergunto às vezes se aonde eu estou é realmente a minha realidade.
Eu ainda me lembro
De breves momentos
Mas, parece que foi em outra vida
As pessoas que eu conheci
Elas se tornaram estranhas
As pessoas que eu amei
Eu as arranquei de minhas entranhas.
Vocês são apaixonados por aquela pessoa que se foi?
Ou são apaixonados pelo tempo que vocês viveram com elas?
O tempo acabou
Mas o amor nunca acaba, ele apenas se transforma em uma necessidade de se esquecer de tudo caoticamente
Eventualmente ele se transforma em saudade
E o meu amor ainda estremece a minha mente.
Eu tento esquecer do tempo
Mas eu não percebo que ao mesmo tempo
Eu acabo sendo engolido por ele
Não há como fugir do futuro e nem do passado
Só preciso estar atento.
A realidade que vivo parece irreal
Eu tento controlar o tempo
Mas eu me perco nele
Caindo no surreal
Minha mente me prega peças
Em um jogo psicológico mortal
E quando eu estou chegando perto da vitória
A ilusão vem e me mostra a realidade
Netuno me sabota
A lua exalta a saudade
E o sangue do meu coração transborda
E mercúrio me joga na insanidade.
Eu tento esquecer do tempo
Mas eu não percebo que ao mesmo tempo
Eu acabo sendo engolido por ele
Não há como fugir do futuro e nem do passado
Só preciso estar atento.
O passado que vivo parece ser a expectativa de um futuro
Mas eu sei que no fundo
É uma ilusão imposta pelo meu ego obscuro
A realidade rasga a minha pele aos confins de Saturno
Então eu caio no escapismo
Eu fujo
Eu corro para Netuno
Mas vem a oposição em forma de carma
Me puxando para Plutão
Onde eu enfrento meus demônios
E me apaixono pela minha escuridão.
Aqui eu não me iludo
Mesmo estando distante do Sol
Eu consigo sentir a sua luz
Aqui consigo enxergar no escuro.
Será que em uma outra realidade paralela
Estamos juntos?
Será que estamos fazendo amor nesse exato momento
Em outra dimensão?
Será que estamos conectados em outro plano
E estamos aqui pagando o preço em forma de solidão?
Será que realmente temos tempo?
Talvez o próprio tempo esteja com pressa,
e dele mesmo. ele ande fugindo
Talvez aos poucos ele esteja nos partindo
Nos rasgando ao meio
Nos inclinando ao modo de sobrevivência
Onde devemos torturar o nosso próprio medo.
Eu tento esquecer do tempo
Mas eu não percebo que ao mesmo tempo
Eu acabo sendo engolido por ele
Não há como fugir do futuro e nem do passado
Só preciso estar atento.
Nem o tempo está com tempo
Devemos nos apressar!
Seja nesse plano ou em outro
Ainda vamos nos reencontrar.
Por: Bruno Bernardes

16 de outubro de 2016

A cidade.

Mesmo sofrendo de ansiedade crônica, encho a minha xícara de café na madrugada. Sei que daqui algumas horas, meu coração vai disparar, e eu vou me imaginar em um hospital sendo levado numa maca. É! o medo lhe prega peças, que são precisamente moldadas em forma de síndromes. Porém, nessa noite, que está garoando leve, dentro um calor que está oscilando com o vento gelado. Me sinto mais uma vez mentalmente perturbado.

São tantos pensamentos que deixam de ser pensamentos, e percebo que meus pensamentos estão se tornando a realidade em minha volta. Uma realidade, onde as pessoas, que procuro profundamente conhecer, estão tentando preencher seus vazios, nos mesmos lugares de sempre, com as mesmas pessoas vazias que eu tentava me preencher. Eu não sei se fico triste por elas estarem caindo na mesma ilusão que eu caí. Ou se sinto preso aonde eu estou, se sinto preso aqui nesse agora, nesse momento, aqui.

Essa cidade está em ruínas emocional. Todos conhecem todos, e todos tentam se sentir superiores a todos. Aquele mesmo jogo manipulativo de dez anos atrás. Parece que a minha juventude, ficou impregnada nas ruas da cidade onde eu moro. Em todo canto, tem alguém que te conhece, que sabe alguma coisa de você, e tenta jogar contra você para se proteger de você. No fundo as pessoas são tão paranoicas quanto eu. A bebida ainda continua distorcendo a realidade das mesas de bar, onde os ditos amigos, tentam seduzir, ludibriar as mulheres com mentiras que eles próprios acabam acreditando, e depois iludem a si mesmos, devastando corações alheios. Eu vejo, agora eu percebo, todos são reféns de seus próprios medos.

Parece que todos, se tornaram uma parte minha do passado. Tenho a sensação que se eu pegar cada pedacinho de cada pessoa que vive nessa cidade, vai se formar um todo complexo, e esse complexo se refleti-lo no espelho, eu vou me deparar com meu próprio reflexo, com meus olhos transmitindo um olhar melancólico e ao mesmo tempo homicida. Eu me tornei a minha cidade, e a cidade se tornou um reflexo da minha mente distorcida. Eu preciso me libertar dessas algemas que prendem a minha pele a rasgando, mostrando a minha carne viva.

Me sinto dentro de um planeta na via combusta, onde todas as pessoas se queimam aos poucos, pois tentam brilhar demais, achando que são poderosas tanto quanto o sol. Mas na verdade, dentro de cada uma delas, não há vida. Só há uma cidade em chamas, em uma perfeita ruína.

Mas claro, não é somente a cidade, não é somente as pessoas, o problema também sou eu. Talvez eu seja a própria cidade, que entrou em um curto circuito megalomaníaco, não há mais força, nem luz, só escuridão, onde eu evito andar sozinho em meus próprios becos escuros, talvez continuando aqui, eu esteja me autodestruindo. Me conduzindo novamente, dentro do abismo.

Eu preciso me reconstruir novamente. Mas desta vez, bem longe daqui.

9 de outubro de 2016

Infância.


Andando pelo bairro abandonado
Ruas desconexas, encruzilhadas.
Ouço vozes que sussurram o passado
Bocas que tentam gritar, mas estão costuradas.
Agora tudo é vazio e vago
O vento se torna uma brisa
Onde o mesmo se mistura com meus pensamentos
Sinto uma sensação sombria
Mas uma sensação que conforta os tormentos
Eu gostaria de voltar no tempo
Onde a minha mãe me dizia que nunca ia embora
Mas eu estou aqui no mesmo lugar
Não há mais ninguém, apenas o frio do vento.
O bairro que era florido
Progrediu-se para o caos
Agora está aos moldes do apocalíptico
O vento fica ainda mais violento
A cada minuto que se passa
Fazendo voar o meu sentimento
E por fim me encontro
Nesta nostalgia devastada
E me paraliso no segundo deste momento
E percebo que as coisas não mudam
Elas deixam de desistir
Elas desparecem no vento
Eu gostaria de voltar no tempo
Onde a minha mãe me dizia que nunca ia embora
Mas eu estou aqui no mesmo lugar
Não há mais ninguém, apenas o frio do vento.
Voltando de lá, percebo que estou seguindo em frente.
O que é complexo, pois não se precisa voltar pra seguir adiante.
Mas eu estou voltando no tempo como eu quero voltar
Mas no momento em que consiste nesse exato instante.
E assim sigo
Sem olhar pra trás,
Preciso apenas superar o fato que tiveram que me abandonar.
Logo percebo meu devaneio
Eu estou sozinho, mas eu me sinto bem em estar.
Eu não estou mais com medo.
Bruno Bernardes.

20 de setembro de 2016

Caoticamente

Há uma veia entupida entre o meu cérebro e a minha mente
E essa veia prestes a explodir é você
Eu tento evitar me lembrar
Mas você tá praticamente cravada em meu inconsciente
Em sonhos você aparece me lembrando da realidade
De uma verdade dentro de uma fantasia complexamente.
Eu não quero ver você
Mas você aparece vestida com roupas de látex
Exaltando meus maiores fetiches
Dançando em frente de televisões
Que transmitem sexo, guerra e bizarrices
Fazendo-me se perder em você e nas suas transmissões
O amor cria e faz ruir as estruturas do espaço-tempo
Vive entre o caos e fusões
Se contorcendo em destinos repletos de atrofiações.
Eu não queria ver você
Mas você vagueia nos meus pulmões
Fazendo-me respirar ofegante
Há ainda uma conexão entre os nossos corações
Fazendo-me entrar em um frenesi delirante.
Agora estou sonhando com nós dois juntos novamente
É! Parece que eu encontrei uma fenda de verdade
Entre tantas fantasias que vivencio
No meu mundo de mentiras
Eu encontrei a chave que abre todas as minhas feridas
As ferramentas precisas pra curá-las sem anestesias
E eu estou preparado para a dor
Pois essa chave ainda é você
A faca enfiada no meu ego
Mas ainda há amor
Eu só preciso esperar
Eu só preciso realinhar as linhas
Você é uma fenda no tempo
Que me faz perder a noção do mesmo
Confundindo minhas parafilias.
Apenas continue dançando nos canais do meu subconsciente
Que eu nunca eu irei me esquecer de você eventualmente
Pois não consigo mais me desligar de você
Mesmo depois de anos longe de seu beijo vermelho ardente
Entre tantos mundos paralelos
Os nossos mundos ainda vão se colidir
Caoticamente.
Bruno Bernardes.

18 de setembro de 2016

Apotemnofilia


Há uma falha na conectividade cerebral, existe uma parte do cérebro que representa o mapa do seu corpo. E quando esta parte nasce danificada, o individuo sente-se que esse mesmo mapa corporal está com partes demais, levando-o a uma obsessão extrema, criando fetiches insanos de sentir-se a necessidade que alguma parte do seu corpo deve ser amputada.
Agora me permitem contar a história triste da minha amiga Mel. Mel desde criança era uma pessoa intensa. Fazia todas as coisas com uma imensa paixão. Mas ao mesmo tempo, ele sentia que essa paixão não fazia parte dela. Era uma intensidade que a fazia se perder em emoções desconexas e sem nexo, e sim Mel sofria, chorava.
Com o tempo, na idade mais adulta, Mel começou a ter as perversões mais perversas possíveis, como demanda essa falha cerebral. Começou a ter fetiches por pessoas amputadas, com partes do corpo faltando. Ao mesmo tempo que ela sentia desejo por essa fantasia, ao mesmo tempo ela se sentia mal, porque algo no corpo dela não deveria estar dentro dela, algo que causava exatamente esses fetiches estranhos.
Mel pediu minha ajuda, me levou ao seu quarto secreto, um porão onde ninguém entra em sua casa. E me mostrou seus pecados. Havia um mural de fotografias, com pessoas mutiladas, mas pessoas sentindo tesão e apreciando a automutilação. Ela me disse a seguinte confissão que me deixou com brilhos nos olhos naquele dia: Eu confio em você como deus confia em seus anjos.
Ela tentou mostrar para mim, como aquela enfermidade que acompanhava ela desde criança, a fazia mal, a fazia se sentir culpada. Mas ao mesmo tempo, percebi que seus lábios se mordiam de excitação, ela tentava disfarçar, mas a sua língua lambia seus lábios, molhados e tenros. Era a fusão do sentimento de culpa com a necessidade do prazer, e ela me beijou.
E o beijo era intenso, como ela havia me dito, era algo que deixava você eufórico, era como uma droga estimulante, logo eu me senti dominado por aquele beijo. Um beijo que transmitia a sua perversão de pessoa para pessoa, e percebi então, que eu fui chamado ali, porque eu era o único capaz de se entregar a sua intensidade sem medo algum. Eu me senti como um receptáculo, onde ela estava dividindo o vírus e a doença dela comigo. E eu me enchi da sua intensidade, me entreguei, me apaixonei.
Ao passar dos meses, nós estávamos ligados a um tipo de frenesi coletiva, a dois. A euforia dominava nossas mentes, levando nossos corpos realizar as fantasias mais bizarras possíveis. Porém a culpa que ela carregava, eu também comecei a carregar. Eu não aguentava mais receber casais que queriam ser mutilados por nós. Aquela dor, aqueles gritos, aquele tesão, aquele sangue e vísceras, aquele gozo coletivo.
Mel me levou ao seu mundo, eu me senti traído por sua ousadia, por sua necessidade. Muitas pessoas tem essa enfermidade cerebral, apesar de ser rara. Alguns querem que apenas um dedo seja arrancado, outros querem a perna, normalmente os fetichistas por pés são os mais comuns, perdemos a conta de quantos pés nós amputamos. E eu queria sair desse mundo doentio. Por mais prazer que eu e Mel sentia.
Então eu descobri o órgão dela que deveria ser arrancado. E o arranquei, sem dó, e nem piedade. Era o seu coração. Aquela intensidade, aquela necessidade de amar e ser amada de volta, era doentia, e eu fui o a sua vítima involuntária. Quando arranquei, me senti curado, ela ao mesmo tempo sentiu um desespero imenso, ao se deparar com a minha traição, ela confiava em mim como deus confiava em seus anjos, mas esqueceu de que haviam muitos anjos caídos, e ali então, eu havia me tornado um para ela. Mas ao mesmo tempo o olhar dela transmitia prazer, um gozo, um orgasmo, seus lábios se mordiam novamente, sua língua passava-se sobre os lábios molhados, mas desta vez, eu a beijei, e juntos caímos em sono profundo, um sono tão profundo que Morfeu estava tendo pesadelos enquanto dormíamos.
Na manhã seguinte, estávamos no mesmo porão, acordamos juntos, o lugar estava limpo, não havia mais aquelas fotografias, e nem um vestígio de sangue, havia um grande por do sol lá fora, brilhando nossas janelas. Toda aquela intensidade visceral havia passado. Juntos tomamos café da manhã, cujo no cardápio estavam nossos corações. Cujo corações que entregamos um ao outro. O amor e a paixão psicologicamente estavam saudáveis. Íamos ficar juntos, e ali ficamos e nunca mais saímos. Do inferno nos libertamos, no paraíso nos encontramos.
A ironia da história, é que essa Parafilia que tínhamos, o principal sintoma dela, era ter um órgão arrancado, porém com o mesmo, nos sentíamos escravos de uma perversão infernal, mas era algo que nos deixávamos incompletos, arrancamos, e agora que arrancamos, a ausência nos tornou completos.
Hoje eu a amo e ela me ama na mesma medida simultaneamente. Hoje nos amamos, e nos completamos, hoje confiamos um ao outro como o Diabo confia em seus anjos caídos.
- Bruno Bernardes.

13 de setembro de 2016

AMOR À SANGUE FRIO


Sentimentos que se tornam blasfêmias para o coração
Palavras que soam conspiração
Declarações que beiram a obsessão
Você vai se entregando sem ao menos perceber
Que está se permitindo cair em uma vazia imensidão
Você não respira
Você se sufoca
Você se torna um prisioneiro
A pessoa que lhe diz eu te amo
Ama o que ela sente
E não você exatamente
Ela tem uma necessidade compulsória
De ter alguém sobre o seu domínio doente
O poder e o controle transam em um frenesi divino
A sensação de se sentir deus
É como um orgasmo aos confins do prazer doentio
Nos dias de hoje até para amar precisa-se ter sangue frio
A intensidade está à paisana seguindo seus passos
Te seguindo a cada minuto e segundo
Não é mania de perseguição
Você não está confuso
Você não está imaginando coisas
Você está se perdendo dentro do seu próprio beco escuro
Na rua das emoções
O criminoso é você mesmo
Você rouba tudo àquilo que está oculto
Sem perceber que você está se tornando um intruso
Sufocando a vida de suas pessoas amadas
Você não percebe, mas sem mais nem menos
Você vai deixando as mentes alheias desmembradas
A manipulação se torna amiga e traz paranoias aliadas
O poder e o controle transam em um frenesi divino
A sensação de se sentir deus
É como um orgasmo aos confins do prazer doentio
Nos dias de hoje até para amar precisa-se ter sangue frio.
- Bruno Bernardes.